Quem sabe quantas voltas elípticas em torno do Sol o mundo ainda dará sobre o seu eixo ligeiramente inclinado, Verão, Inverno? Também desconhecemos quantas reviravoltas ainda teremos de fazer para nos mantermos de pé sem vacilar nesse rodopio do planeta que coloca tantos Doutores e Presidentes de cabeça tonta, indigente.
E assim chegamos ao número #9 de A Morte do Artista. E tal como diz o preâmbulo em jeito de prefácio ou editorial:
«Estávamos muito bem a andar, sem particular direção, a
caminho de sítio nenhum, que é como quem diz, a caminho de todos os lugares,
quando, de repente, sem aviso prévio, um vendaval, um cataclismo, um tremor de
dentes, uma minudência, uma vírgula fora do lugar, uma borboleta de asas
assimétricas, um sorriso comprometedor, um raio de ar, uma orla marítima, uma
curva acentuada para o céu, uma periclitância, uma tempestade com nome de
homem, um anticiclone com nome de mulher nos fizeram perder o norte e, claro
está, também o sul, o este e o oeste — já se sabe quando se perde um, perdem-se
logo os outros todos.»
No “Ponto Zero”, Fernanda
Cunha deixa-nos perceber o que uma certa Inteligência Artificial poderá ter
a ver com a alteração de uma cidade-modelo. Entre
o Amor e a Revolução.
Pedro Eiras oferece-nos o “Quarteto”, uma
renuncia ao que a rotina e o dever quantas vezes obrigam cada um de nós a ceder
em detrimento do prazer ou da razão.
Ana Costa Franco mostra a transformação de uma rua,
de um bairro, de um café face ao tempo que fica cristalizado sobre cada um dos
minutos que faz mover o dia-a-dia. “Maria de Tânger”.
De Nilson Dourado, três poemas sobre as palavras
voláteis mas desejadas em cada sopro, em cada desejo, em cada beijo.
João Eduardo Ferreira (eu mesmo, na terceira pessoa do
singular) inscreve a receita sobre
por que não dormir. “Insónia – Uma Teoria”.
Manuel Halpern faz o elogio do refractário
subtrator apresentando a respectiva bula programática e, mais à frente, apresenta
o “Tutorial” para não arriscarmos o passo em falso no Amor.
Quem vai ao teatro moderno pela mão da artista dramática
Magda Fiolhais, famosa pelos seus happenings
desconstructivos é Pedro Castro
Henriques. O futuro do drama é com ela. O futuro é com ele.
Henrique Pires-Teixeira
faz-nos compreender
a importância da crónica como entusiástico registo do passado. A história do
nosso presente, entre continentes.
Vindo ainda do continente África, da sua costa leste, Lino Mukurruza, relembra-nos ainda a
memória esparsa do poeta Sebastião Alba.
A dupla de poetas Joana
Koehler e Tiago Gomes fazem-nos seguir na viagem do Amor e do Furacão através
da ferida provocada pelos estilhaços, da premência do desejo ou da impossibilidade
do regresso.
Luís Natal Marques em “Não te esqueças de pedir licença” transpõe a barreira do outro, convida a senti-lo como nós. No fundo, o autor coloca-nos num certo jardim, Ali, somos, de facto, o Outro.
E, no final, João de
Melo narra a impossibilidade de viver sem a poesia.
Ou melhor, traduz-nos como a vida sem a palavra sentida pode ser tão enfadonha
como inútil. Concretamente, faz um imenso elogio à literatura como peça fundamental da sobrevivência. "A Salvação pela Poesia".
Por último, por ser a primeira que nós, com deleite, aqui
usufruímos, está toda a arte gráfica, composição e obras do artista
plástico, nosso estimado associado, Paulo
Romão Brás que nos oferece o objecto que temos na mão onde vemos as imagens retiradas da extraordinária série
“Espuma, Ruído e Atonia” (2020-2025).
Por todos estes motivos e pelo teatro e pelos bolinhos,
será impensável não estar presente na festa de lançamento do #9 de 'A Morte do
Artista' que terá lugar na Biblioteca do Palácio Galveias, no dia 23 de maio, pelas
16h00, em Lisboa.
jef, maio 2026


Sem comentários:
Enviar um comentário