Toda
a ironia da tragédia começa e termina do título. A dupla de
realizadores iranianos concebe o filme como um tríptico que representa a saga
de uma família de afegãos imigrados no Irão durante duas décadas, de 2001 a
2021. Claro que a exploração e a xenofobia não escolhem país, povo ou estatuto
social. Aqui, os três episódios reflectem a escravidão, a exclusão e o abuso que os trabalhadores estrangeiros sofrem na pele. Contudo, habituados que estamos à
superioridade da cinematografia de Abbas Kiarostami, Jafar Panahi ou mesmo de Asghar
Farhadi, o filme surge como uma denúncia real e sincera mas um tanto simplificada,
melodramática, ou mesmo entorpecida pelo excesso de dramatismo emocional. Aos
poucos, o espectador afasta-se da justa comoção e do teatro mais forte que os filmes dos mestres iranianos já nos deram.
Existe, todavia, no primeiro episódio, talvez o mais cénico, mais objectivo, por isso mais contundente, dois actores de uma fotogenia arrebatadora. São extraordinárias as cenas de olhares silenciosos ou aquelas passadas à noite, na estufa de tomateiros, onde Mohammad (Mohammad Hosseini) ensina inglês a Leila (Hamideh Jafari). Actores e cenas que valem todo o filme.
jef,
janeiro 2026
«Na
Terra dos Nossos Irmãos» (Dar sarzamin-e baradar) de Raha Amirfazli e Alireza
Ghasemi. Com Hamideh Jafari, Bashir Nikzad, Mohammad Hosseini, Marjan Khaleghi,
Hajeer Moradi, Marjan Ettefaghian, Mehran Vosoughi, Reza Akbari. Argumento: Raha
Amirfazli e Alireza Ghasemi. Produção:
Raha
Amirfazli e Alireza Ghasemi. Fotografia: Farshad Mohammadi. Música: Frederic
Alvarez. Guarda-roupa: Raha Dadkhah. Irão / França / Holanda, 2024, cores, 95
min.
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