domingo, 12 de julho de 2026

Sobre o disco «Get Sunk» de Matt Berninger, Concord Records 2025

 




 







Se a capa do álbum «Serpentine Prison» (2020) tinha um vago Freud-Bacon Touch, a de «Get Sunk» pisca o olho a Lourdes Castro.A mesma penumbra de prisão, de cerco, de transparência vigiada, de refúgio cercado.

Inland Ocean

No Love

Bonnet Of Pins

Frozen Oranges

Breaking Into Acting

Nowhere Special

Little By Little

Junk

Silver Jeep

Times Of Difficulty

 A voz grave, velada, densa parece mais definida, talvez ainda mais política, nesse texto sem fim, paranóico-diabólico, feito de restos prestáveis: «Nowhere Special». Por vezes acarinhada pela voz feminina.

“God loves the inland ocean. Lost cause, I have no emotion. Wrap me up and bury me.» canta-se no interior desse oceano sitiado. Mas “We say sorry then We laugh it off With careful hugs And kisses off the cheek”. Apesar de todo o amor a solidão existe. Apesar de todo o abandono existirá uma centelha de carinho.

Mesmo no centro do absurdo, mesmo se as laranjas suspendem-se congeladas na árvore em Indiana, mesmo se aos poucos termines em poeira e sonhos, ainda poderemos encontrar a semente redentora da comunhão.

“Get drunk! Get sunk! Forget! Get wet!”

No entanto, “I’ll think of you if you think of me The way the sky thinks of the sea In times of dfficulty”.

'A energia pode ser estranha', porém a música de Matt Berninger revela novamente o modo abstracto e belo de como sobreviver à intempérie de um mundo cruel mas, ainda assim, belo.

“I only love you baby, I’m only love Without you baby I’m only junk I’m only love I’m only junk.”

jef, julho 2026

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