quinta-feira, 12 de outubro de 2017

O silêncio de Cassandra











A sinceridade do pálio
reserva na pele a febre 
E na curva da onda
no remanso do casco
o náufrago reflecte o triste Egeu
sofrimento distante pelo remorso
as costas viradas
ao vencido Aquiles
triunfante
à silenciada Cassandra
Chora o Mediterrâneo a culpa da água
e o azul da luz
e a guerra perdida
e as vestes em rasgos
do desvario de Hécuba
e da loba grávida
de uma cidade por nascer
Nua.

jef, outubro 2017

2 comentários:

  1. O Mediterrâneo (e seus personagens) enquanto ventre do imaginário ocidental.

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  2. A Tragédia e o Renascimento, amigo António Sá.

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