segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Sobre o filme «Morangos Silvestres» de Ingmar Bergman,1957












Recuperar o senso da morte.
O que fazer quando nos apercebemos que o tempo se escoa sem deixar rasto, retirando os ponteiros aos relógios, os cadáveres aos esquifes, o senso aos poucos minutos que nos restam? «Morangos Silvestres» possui uma tal modernidade que coloca sobre a certeza mais duvidosa da humanidade o riso infalível da melhor juventude: fazer-se à estrada ou viajar de avião, ser histérico ou ser católico, rejeitar a amizade de um filho ou guardar a remorso de uma escolha que já se tornou inviável? O tempo, contudo, move-se na direcção certa da solidão, do egoísmo e da morte. O tempo, contudo, pode ser detido pelo aroma dos morangos, pela probabilidade de uma viagem a Itália, pelo som inesperado de uma serenata, pela amizade de quem nos ajuda a fazer as malas e partir. «Morangos Silvestres» vale mais do que 1.000 homílias dominicais, 1.000 sessões de psicanálise, 1.000.000 de discursos dos (actuais) políticos! Louvado sejas, Ingmar Bergman! Que o futuro esteja connosco!

jef, fevereiro 2014


«Morangos Silvestres» (Smulltronstället) de Ingmar Bergman. Com Victor Sjöström, Ingrid Thulin, Bibi Andersson, Gunnar Björnstrand, Jullan Kindhall. Suécia, 1957. P/B, 91 min.

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