segunda-feira, 27 de março de 2017

O Senhor Leonardo









O Senhor Leonardo sentado no banco do jardim, matutava.
«Há certas alturas da vida em que a própria vida parece reclamar, indigna-se com quem a agarrou, com quem a aprisionou dentro de um corpo, por ser um corpo condicionado à gravidade terrestre, à pressão atmosférica, ao ser social e político, ao ser humano, aos gatos e cães, ao amor, ao ódio, aos livros lidos, ao bacalhau deglutido, digerido e defecado, ao sorriso e ao esgar dos outros, ao irs e comissões bancárias, às bactérias e parasitas, aos credos, à memória, à cor do céu e das florestas. Um estar limitado à sua própria razão de existência, ao seu próprio instinto.»
Nessas alturas, a vida enunciava ao Senhor Leonardo, um tudo-nada contrariada.
«Eu preciso de tudo!»


jef, março 2017

Sem comentários:

Enviar um comentário