segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Jacaranda mimosifolia


 as fotografias são do querido colega José Carlos Figueiredo















jacarandá, palissandra
Família Bignoniaceae (Bignoniáceas)

Originária da América do Sul (Argentina, Bolívia, Brasil) é uma árvore caducifólia de porte médio, de crescimento relativamente rápido, que atinge cerca de 15 m de altura. Possui uma copa ampla, arredondada a irregular, e o tronco, de 30 a 40 cm de diâmetro, é ligeiramente retorcido; com casca clara e lisa quando jovem, que se torna rugosa e mais escura com a idade. Gosta de humidade, prefere lugares abertos, ensolarados, solos férteis e bem drenados. A sua madeira é muito dura e tem excelentes propriedades mecânicas.

As folhas são amplas, opostas, recompostas e imparipinuladas, com 20 a 45 cm de comprimento, com pequenos e numerosos folíolos ovado-acuminados.

As flores, até 6 cm de comprimento, azul-violáceo, são hermafroditas e dispostas em panículas terminais, de corola bilabiada com o tubo curvo.

O fruto é uma cápsula oval, de 5 a 8 cm de diâmetro, bivalve, grande e lenhosa, achatada, de contorno irregular, deiscente, com numerosas pequenas sementes aladas.

As flores surgem de Maio a Julho, por vezes Agosto e Setembro, antes de se desenvolverem as novas folhas. Pode acontecer também de forma extemporânea e nem em todas as árvores ao mesmo tempo. Os frutos aparecem de Maio a Setembro.

Não serão muitos os que ficam indiferentes à tonalidade violeta que as flores tubulares dos jacarandás deixam sobre as ruas e os jardins, essas flores que precedem a folhagem frágil, semelhante aos fetos que se desenvolvem sobre o tronco das árvores (epífitos). A chegada de novas cores lembra novas estações e novas esperanças. Aligeirando a paisagem de Lisboa, as árvores cujos frutos, noutros lugares, são comparados a castanholas ou a ostras, agrupam-se ostensivamente discretas no Parque Eduardo VII, no Campo Pequeno, no Largo do Carmo, nas Avenidas Novas, na rua D. Carlos I… António Barreto, um declarado devoto a estas árvores, tal como o nome do seu blogue o confirma, escreve «No meio desta ansiedade, uma notícia ajuda a dormir em paz. Uma só certeza: a de que os jacarandás floriram!» (Público, 1995). O Centro Nacional de Cultura promove anualmente passeios para olhar a sua luz. Eugénio de Andrade refere que as suas flores prenunciam o Verão glorioso. O modo como os urbanistas têm difundido a plantação de jacarandás nos arruamentos das cidades portuguesas, principalmente em Lisboa, revela-se um caso muito feliz de comunhão estética com os respectivos cidadãos.

João Eduardo Ferreira
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AOS JACARANDÁS DE LISBOA
Eugénio de Andrade

São eles que anunciam o verão.
Não sei doutra glória, doutro
paraíso: à sua entrada os jacarandás
estão em flor, um de cada lado.
E um sorriso, tranquila morada,
à minha espera.
O espaço a toda a roda
multiplica os seus espelhos, abre
varandas para o mar.
É como nos sonhos mais pueris:
posso voar quase rente
às nuvens altas – irmão dos pássaros –,
perder-me no ar.


in «Os Sulcos da Sede» 2001


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