105 x 78 milímetros. 36 páginas-couché envoltas numa capa de
leve cartolina escarlate com badanas onde o título vem gravado em profundidade. Um extra-ordinário A7! É o
microcosmo do artista plástico que, uma vez mais, assume mais o seu pendor de
cronista gráfico do que de ilustrador social.
É o mais pequeno livro impresso da sua vasta obra e a
concisão milimétrica da respectiva esquadria faz concentrar a atenção do leitor
sobre cada um dos dias que passam pelo diário do artista (e do
espectador). É como um presente filatélico que é oferecido ao nosso passado
recente. Ou seja, o leitor não precisa de vasculhar na pilha de jornais dos meses
transactos ou nas notas que deixou pespegadas nos ímanes do frigorífico: em
«Greve Geral» está tudo descrito com a proverbial intimidade política tão
característica da última fase plástica do artista – as cores amplas e em fundo
monocromático no interior de contorno negro digital sublinham (até parece que ampliam) quanto a tempestade nos
impediu de ver o sol; quanto o genocídio na Palestina nos angustiou os
noticiários; quanto o Natal é vermelho, igual à Greve Geral, igual à raiva de
não querer trabalhar para aquele patrão. Mas o Sol ainda está lá em cima,
apesar da depressão dos dias entediados, apesar do Ventura, apesar da chuva
persistente.
Ler cada dia André Ruivo através da sua resistência bruta, da teimosa persistência, quantas vezes, talvez, contra a sua própria vontade de desistência, é um acto de extrema eficácia.
Muitos coleccionaram o Almanaque Bertrand. Eu, com orgulho e
alegria, colecciono o Almanaque Ruivo!
jef, maio 2026




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