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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Sobre a apresentação da revista «A Morte do Artista # 9 – ‘Reviravolta’». Biblioteca do Palácio Galveias, dia 23 de maio, pelas 16h00. Lisboa, 2026



 














Quem sabe quantas voltas elípticas em torno do Sol o mundo ainda dará sobre o seu eixo ligeiramente inclinado, Verão, Inverno? Também desconhecemos quantas reviravoltas ainda teremos de fazer para nos mantermos de pé sem vacilar nesse rodopio do planeta que coloca tantos Doutores e Presidentes de cabeça tonta, indigente.

E assim chegamos ao número #9 de A Morte do Artista. E tal como diz o preâmbulo em jeito de prefácio ou editorial:

«Estávamos muito bem a andar, sem particular direção, a caminho de sítio nenhum, que é como quem diz, a caminho de todos os lugares, quando, de repente, sem aviso prévio, um vendaval, um cataclismo, um tremor de dentes, uma minudência, uma vírgula fora do lugar, uma borboleta de asas assimétricas, um sorriso comprometedor, um raio de ar, uma orla marítima, uma curva acentuada para o céu, uma periclitância, uma tempestade com nome de homem, um anticiclone com nome de mulher nos fizeram perder o norte e, claro está, também o sul, o este e o oeste — já se sabe quando se perde um, perdem-se logo os outros todos.»

 Mas nós não estamos perdidos porque estamos bem encontrados, rodeados de tão belos artistas. A saber:

 A começar por Afonso Cruz, o nosso consagrado, que nos faz seguir aquele estranho percurso que levou os heróis-anti-heróis pelos mares luminosos da velha Grécia.

No “Ponto Zero”, Fernanda Cunha deixa-nos perceber o que uma certa Inteligência Artificial poderá ter a ver com a alteração de uma cidade-modelo. Entre o Amor e a Revolução.

Pedro Eiras oferece-nos o “Quarteto”, uma renuncia ao que a rotina e o dever quantas vezes obrigam cada um de nós a ceder em detrimento do prazer ou da razão.

Ana Costa Franco mostra a transformação de uma rua, de um bairro, de um café face ao tempo que fica cristalizado sobre cada um dos minutos que faz mover o dia-a-dia. “Maria de Tânger”.

De Nilson Dourado, três poemas sobre as palavras voláteis mas desejadas em cada sopro, em cada desejo, em cada beijo.

João Eduardo Ferreira (eu mesmo, na terceira pessoa do singular) inscreve a receita sobre por que não dormir. “Insónia – Uma Teoria”.

Manuel Halpern faz o elogio do refractário subtrator apresentando a respectiva bula programática e, mais à frente, apresenta o “Tutorial” para não arriscarmos o passo em falso no Amor.

Quem vai ao teatro moderno pela mão da artista dramática Magda Fiolhais, famosa pelos seus happenings desconstructivos é Pedro Castro Henriques. O futuro do drama é com ela. O futuro é com ele.

Henrique Pires-Teixeira faz-nos compreender a importância da crónica como entusiástico registo do passado. A história do nosso presente, entre continentes.

Vindo ainda do continente África, da sua costa leste, Lino Mukurruza, relembra-nos ainda a memória esparsa do poeta Sebastião Alba.

A dupla de poetas Joana Koehler e Tiago Gomes fazem-nos seguir na viagem do Amor e do Furacão através da ferida provocada pelos estilhaços, da premência do desejo ou da impossibilidade do regresso.

Luís Natal Marques em “Não te esqueças de pedir licença” transpõe a barreira do outro, convida a senti-lo como nós. No fundo, o autor coloca-nos num certo jardim, Ali, somos, de facto, o Outro.

E, no final, João de Melo narra a impossibilidade de viver sem a poesia. Ou melhor, traduz-nos como a vida sem a palavra sentida pode ser tão enfadonha como inútil. Concretamente, faz um imenso elogio à literatura como peça fundamental da sobrevivência. "A Salvação pela Poesia".

Por último, por ser a primeira que nós, com deleite, aqui usufruímos, está toda a arte gráfica, composição e obras do artista plástico, nosso estimado associado, Paulo Romão Brás que nos oferece o objecto que temos na mão onde vemos as imagens retiradas da extraordinária série “Espuma, Ruído e Atonia” (2020-2025).

Por todos estes motivos e pelo teatro e pelos bolinhos, será impensável não estar presente na festa de lançamento do #9 de 'A Morte do Artista' que terá lugar na Biblioteca do Palácio Galveias, no dia 23 de maio, pelas 16h00, em Lisboa.


jef, maio 2026

terça-feira, 6 de maio de 2025

Sobre a apresentação do # 8 de «A Morte do Artista». Biblioteca Palácio Galveias, 17 de Maio de 2025, 16h00. Lisboa.



 







Hoje em dia, e quem sabe talvez mesmo ontem em dia, muitos andam para aí a falar da boca para fora (e do seu porta-moedas para dentro). Por isso, veio-nos à ideia apelidar assim o volume #8 de «A Morte do Artista».

Como chegámos até aqui é difícil de explicar pois o ritmo editorial é desenfreado e louco. Uma revista por ano!

Relata o editorial no seu início:

«Escrever um texto a oito mãos seria tarefa fácil para um polvo, caso os polvos dominassem a arte da escrita. Tratando-se de bichos homens, em oito mãos contam-se 40 dedos, mais do que as letras do alfabeto, cada um deles com disponibilidade para pressionar o teclado (uns com mais destreza do que outros, pois está claro). Além disso, é preciso acrescentar um mínimo de quatro cérebros, cada um mais teimoso do que o outro, pois sabe-se que, sem estes, as mãos ficam penduradas, sem saber onde se meter…»

Desta feita, e atrás do já referido tema «Da Boca para Fora», chamámos 11 escritores que na sua opinião e ficção se juntaram a nós com todo o seu bel-prazer. Afinal, a ficção é a maior e a melhor das verdades. Uma verdade que todos desejamos que seja a razão imaginada de uma felicidade comum.

A saber.

Hélia Correia é a nossa querida artista consagrada que nos conta a história «Estar a mais». Uma espécie de profecia sobre a robótica do novo corpo e a sensualidade abstracta do novo espírito.

Julieta Monginho narra uma viagem sentimental, emocional e estratégica de uma separação em modo turístico.

Em «Verdes» Margarida Fonseca Santos fala-nos de uma pintora que olha o colorido da botânica com a sensibilidade familiar de uma casa que está prestes a desaparecer.

João Nuno Azambuja transcreve o seu apócrifo evangelho sobre a leviana palavra de Deus «Fiat Lux».

Fernando Ramalho revela-nos algumas páginas secretas dos «Cadernos da Aliança Operária».

Ricardo Marques segreda-nos ao ouvido a poética de um «Tríptico da

boca para fora».

Karl Seglem traz-nos a poesia do gelo norueguês no sopro de «Os ventos contínuos».

Ozias Filho desvenda-nos a carícia da palavra dita pelos lábios açucarados de «Marshmalow».

Rui Môço conta-nos afinal um segredo húmido. O que em silêncio diz o diálogo entre dois corpos «Da boca p’ra dentro».

Manuel Abrantes escreve sobre a história fantástica de um romance «Inesquecível».

João Aveiro Pereira fala-nos em «Da boca para fora» da conturbada vida laboral de um jobem cumpridor.

Por fim, Miguel Jesus escreve uma carta de amor a Hélia Correia - «Querida Hélia».

Pelo meio, os mais mentirosos, os artistas mais moribundos, reunidos: Fernanda Cunha, Manuel Halpern, Paulo Romão Brás e este que assina João Eduardo Ferreira, compõem o modo gráfico e reescrevem sobre a imagem ou a ideia de um diálogo entre papagaios dorminhocos; a lição de nos sentirmos a sós dentro de nós próprios; ou de um inesperado graffiti daltónico; de um veneno como definidor de uma relação com futuro incerto; de um modo artístico e plástico “Espuma, Ruído e Atonia (2020-2025”; ou sobre a ideia individual de um candidato que toma o princípio privado do seu futuro pelo fundamento do colectivo eleitoral.

E, assim, mais uma vez em Maio, o mês dos malmequeres, dos milagres, das mulheres e dos homens, também da liberdade, da democracia e das eleições, «A Morte do Artista» #8 será lançada aos quatro ventos, pólens e alegrias na Biblioteca do Palácio Galveias, em Lisboa, no dia 17 de Maio, pelas 16h00. Haverá drama, convívio, refrescos e bolinhos.

Venham de lá para cá! Para a mais bela Biblioteca Palácio Galveias!

Não faltem!


jef, maio 2025

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

Sobre a apresentação do # 5 de «A Morte do Artista». Biblioteca Palácio Galveias, 22 de Outubro de 2022, 16h00. Lisboa.

 



















Para que não fiquem dúvidas, o editorial do #5 é muito pragmático:

«Nós, que somos politicamente concretos, na época do degelo, calçámos os pneus de chuva, tirámos a carta de condução para veículos anfíbios, vendámos os olhos para ver melhor o lado de dentro, e zarpámos por aí a fora, numa caravana dismórfica, feita de quem se queira juntar.

E, a partir de então, os verdadeiros e inconformados contestatários serão aqueles que, por teimosia ou hábito, insistem em circular sempre na mesma direção. Todo este processo, claro, provoca acidentes e vítimas morais. Se a regra é subverter as regras, todos têm eventualmente razão. Resta-nos escrever uma declaração amigável em versos alexandrinos (também pode ser uma declaração de amor!) e depois queimá-la como faziam os profetas da arte efémera.

Se formos muitos a acelerar em contramão, acabaremos por mudar o sentido do mundo.»

José Eduardo Agualusa é o nosso querido (e viajado continental) artista consagrado que nos entrega a história «A Ilha Submersa». Abílio de seu nome.

Pires Laranjeira enquadra a obra do autor de forma simples e completa. Com ele, compreendemos o país e a escrita de um dos autores mais importantes da língua portuguesa.

Dorit Zilberman relata uma viagem entre quatro paredes israelitas pois a pandemia resguardou, subtraindo, o mundo a essas duas almas que envelhecem amando.

Paulo Kellerman Faz-nos caminhar apena numa direcção mas que, por sinal e por fim, se contradiz nos opostos dos seus dois sentidos.

O poeta-músico, Luca Argel, serve-nos, entre os seus poemas, o poeta com batatas e molho de alcaparras. O Brasil fica órfão quando perde para sempre o número do telefone fixo.

Filomena Marona Beja escreve um conto através da sua escrita arquitectonicamente sintética sobre um caso de discriminação e perseguição social. Algures em Portugal. 

Ricardo Tiago Moura fala-nos poeticamente da contagem brutal do tempo que, no fundo, se restringe e contrai sobre a derradeira hora onde se encontram todos os logros.

Gaëlle Istanbul escreve sobre a finalidade cabal (talvez vã) do nascimento e do seu caminho retrógrado através das sombras do presente, até uma outra dimensão.

Amosse Mucavele reinventa o velho embuste matrimonial e a origem de uma certa mentira fronteiriça, também a dor dos cinéfilos.

Paola D’Agostino faz renascer a esperança na idade que conta. A Rita e a Senhora Dona Isabel, sua tia-avó, que se cansa de andar sempre bem-disposta.

Carolina Furtado Freitas conta a história de um livro escondido e de uma alma perseguida. As aves, guardado muito junto ao peito.

Cláudia Clemente conta a historia de um 5º Esquerdo e de quem lhe mora ao lado, incessante, inconstante, inconsequente. Revoltada.

João Vieira, entre didascália, relata a história de ELE ou ELA POR ELE em que de batom em riste ouve Marlene Dietrich: “Para onde vão todas as flores?”.

Vítor Encarnação descreve-nos as diversas dimensões de uma árvore: a memória, o trauma, o sonho, a quimera, a afronta, o medo…

Joel Neto redige um libelo pelos Açores, contra o isolamento, contra o nepotismo, contra o essa visão plastificada do luso paraíso. Um apelo talvez polémico, certamente urgente.

Inez Caria enche plasticamente o #5 da revista, do fanzine, do jornal, do pasquim, da revista com os seus desenhos recortados na abstracção figurativa que tem tanto de líquido quanto de hipnótico.

Por fim, em contramão, os artistas mais que moribundos, reunidos: Fernanda Cunha, Manuel Halpern, Paulo Romão Brás, também este que assina João Eduardo Ferreira, compõem o modo gráfico e reescrevem sobre a tragicomédia que é a via pública traçada por autoestradas e passadeiras de peões, pela travessia, pelo susto, pela contramão em movimento uniformemente acelerado.

E assim, de novo em Outubro, o mês do suave Outono luminoso, «A Morte do Artista» #5 será apresentada na Biblioteca do Palácio Galveias, em Lisboa, no dia 22, pelas 16h00. Haverá drama, convívio, conversa, refrescos e biscoitos.

Apareçam!


jef, outubro 2022

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Sobre o «Jornal de Natal», The Inspector Cheese Adventures & Xerefé edições, Dezembro 2020.


 






































Não existe mais nenhum jornal como este!

O melhor presente de Natal! E tão em conta!

São 24 páginas para 23 artistas que ilustram um Natal como deve ser. Mesmo em papel de jornal, 41 x 29 cm. Dos antigos, a preto e branco, sem agrafos, páginas grandes que, ao desdobrar, se sacodem um pouco para folhas se endireitarem.

Imagens preenchendo todo o nosso campo de visão, abarcando-o, motivando-o, espevitando-lhe a lembrança de passados recentes e velhos futuros.

As imagens parecem antigas mas são muito novas. Parecem uma sucessão de documentos ilustrados, notícias sem tempo, anúncios publicitários fora de moda. Exactamente como os calendários do Advento ilustrados, com janelinhas para abrir e observar com o microscópio do desejo.

Que a página seguinte, a 25ª, a do próximo ano 2021, seja ilustrada pelos sonhos que todos merecemos e imaginamos.

 

jef, fevereiro 2020

 

Postos de venda do «Jornal de Natal» (1 euro). AÇORES: Companhia das Ilhas. AVEIRO: Gigões e Anantes. BRAGA: 100a Página. COIMBRA: Escola da Noite. ÉVORA: Fonte de Letras. LISBOA: Baobá, it’s a book, Leituria, Lusco Fusco, Snob, STET, Tinta nos Nervos. PORTO: Poetria. SINTRA: Hipopomatos. VILA NOVA DE GAIA: Velhotes. VILA REAL: Traga Mundos.

Editores: Ana Biscaia e André Ruivo.

domingo, 28 de abril de 2019

Sobre a apresentação do # 3 de «A Morte do Artista». Biblioteca Palácio Galveias, 11 de Maio de 2019, 16h00. Lisboa.





Como dizia o outro, seja esse outro quem for, há coisas difíceis de explicar. Há quem as apelide de milagres. Ou de acasos…Tal como as camadas diversas onde se escondem a mentira, o engando, a falsidade, as fake-news. Ou a ficção, a arte, a literatura, como fugas da realidade para dela se aproximar…

Contudo, não é difícil explicar como «A Morte do Artista» chega ao seu número 3, no seu desenfreado e louco ritmo editorial. Uma por ano! Desta feita, com «A Mentira» por tema e gozo. E com tantos artistas que, na sua ficção, mentem a seu bel-prazer, afirmando o curso de uma verdade muito sua. Uma verdade que todos desejamos ser a razão comum de uma felicidade comum e partilhada.

Lídia Jorge é a nossa querida artista premiada e conta a extraordinária história de «Aurora e a Teoria da Mentira»

António Sáez-Delgado relata uma viagem sentimental em torno da fronteira ibérica e de uma devoção que é muito mais do que isso. É a afirmação sussurrada de uma verdade afectiva e literária.

Nuno Moura fala aos microfones da Voz Off. Para que nos sintamos fora do palco e entremos dentro dos próprios corações.

O artista de mãos moribundas mais asinhas, Adolfo Luxúria Canibal, entrega-nos uma fatal história de Amor sublime.

Rita Taborda Duarte mente muito e vai até ao Natal das famílias de nariz altivo, mais ou menos fartas e rubicundas, mas com o ateísmo por moral ecuménica e religião gastronómica.

Hugo Mezena escreve um texto tripartido onde a verdade se ausenta e a acção se esconde na «comunicação».

Cláudia Lucas Chéu reinventa o velho embuste matrimonial e a origem da mentira.

Pedro Dias de Almeida avança como em linha férrea ou relógio sincronizado. O Torpor. O modo rítmico, métrico, vital.

João Reis conta um conto e acrescenta um ponto ao silêncio como primeira mentira familiar. Uma Romã está no centro.

Sérgio Tavares relata-nos uma história onde o Brasil acorrenta politicamente a verdade dos cidadãos, transformando-os em resistentes e mentirosos.

O cabo-verdiano Filinto Elísio fala da Quinta Enfermaria, lugar geográfico, amplo e patriótico, de loucos e juventude. Da brincadeira, do 25 de Abril, da política e dos políticos. Da alegria. Sem vírgulas e pontos finais.

Pedro Proença enche plasticamente o #3 da revista, do fanzine, do jornal, do pasquim, com os seus desenhos virtuosos e hipnóticos de técnica abstractamente figurativa.

Por fim, os mais mentirosos, os artistas mais moribundos, reunidos: Fernanda Cunha, Manuel Halpern, Paulo Romão Brás e este que assina João Eduardo Ferreira, compõem o modo gráfico e reescrevem sobre a Mentira, o Engano, o pêndulo da hipnose, o planeta Mentior e a história de José Inácio.

E assim, mais uma vez em Maio, o mês dos malmequeres, dos milagres, das mulheres e dos homens, «A Morte do Artista» #3 será lançada aos quatro ventos, na Biblioteca do Palácio Galveias, em Lisboa, no dia 11 de Maio, pelas 16h00. Haverá drama, convívio, refrescos e bolinhos.

Apareçam!

jef, abril 2019

domingo, 13 de maio de 2018

Sobre a apresentação do nº 2 da revista «A Morte do Artista». Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa. 26 Maio 2018, 16h30





























Não vivo de sonhos.
Talvez sejam os sonhos que, em sua etérea matéria, vivam de mim. Esqueço-os quando acordo.
Prefiro milagres.

Em 2017, 13 de Maio, Lisboa, Biblioteca Camões, um grupo de peregrinos (Carina Bernardo, Fernanda Cunha, Firmino Bernardo, João Eduardo Ferreira, Manuel Halpern e Paulo Romão Brás) – autodenominando-se «A Morte do Artista» por andarem a vender os próprios livros e demais artes –, resolveram atribuir um prémio literário ao escritor Mário de Carvalho, assim, porque sim, sem o apoio de bancos nem de tamancos, sem academias nem editoriais epidemias. Só porque a nossa leitura merece a elevação de tal escrita e nesta se vai enraizando, lançando felizes caules e flores ou possíveis frutos.

Um ano depois, o milagre reavalia-se a si próprio, deseja voltar e chama à liça, para premiar a sua obra maravilhosa e infinita, lógica e ilógica, real e fantasista, Gonçalo M. Tavares. O segundo número de «A Morte do Artista» aí estará consubstanciado em letras de papel para que todos o possam ver e ler na dimensão de «O Outro», o tema escolhido para a presente edição. O Outro que, afinal, todos nós também somos.

A abrir, a história tentada de Jonathan, original, de Gonçalo M. Tavares.
Fernanda Cunha escreve ao Senhor Swedenborg, contrariando-o respeitosamente. Mais à frente, escreverá do fardo e do fado em que se tornou a humanidade para o homem.
Da Galiza e em galego fala Yolanda Castaño sobre a linguagem do mar e do quase amor. Das palavras que alguém ainda teria para dizer.
Porque os desenhos também são para ler, chamamos para nos ilustrar a leitura da antropo-metamórfica silhueta artística de Rui Vitorino Santos.
Da sorte consabida de Sacha e Sansão sabe Firmino Bernardo. Do azar de Lear e da respectiva descendência tecnologicamente dramática, também.
Vem da fadista de erudição mais veemente, Aldina Duarte, a sua primeira ficção aqui publicada.
Da Catalunha e do catalão chega a crónica do quotidiano ou o quotidiano de uma crónica, de Joan Casas.
Mas de Pedro Vieira não temos o desenho mas a fatalidade do amor: «Lia-o como se morresse».
Faustino Antão relembra Miranda: «L outro, eigual na çfrença». Outras diferenças, outras ficções, outras viagens, estão na escrita psicológica de Nuno Filipe Oliveira e no realismo narrativo de António Silva.
Sobre a distância da saudade, sobre o Verão do Inverno, sobre a eterna dúvida: ‘será que o outro já é outro?’, sobre o romantismo em outros lugares, o lucro da linguagem em ilhas distantes, fala Manuel Halpern.
Finalmente, da filosofia de Gonçalo Marcelo recebemos a reflexão vital sobre o desnorte norteado e a hierarquia truncada da linguagem e da literatura do escritor consagrado. «A bússola de Gonçalo M. Tavares».
Tudo acarinhado pelo grafismo, na capa, contracapa e páginas centrais, na inquieta gravidade, na serena expectativa das artes de Paulo Romão Brás.

Não haverá sonhos em noites de Verão que não se esqueçam, mas deste milagre recorrente haverá muito para ler e olhar, que das minhas linhas nele incluídas eu aqui não comento.

Basta comprar a revista por 4,00 euros, disponível a partir do dia 26 de Maio.

Deixo, então, um abraço grande até esse dia 26 de Maio de 2018, um sábado luminoso, pelas 16h30, na Biblioteca Palácio Galveias, Campo Pequeno, em Lisboa. A entrada é livre e para todos. Daremos o prémio com a presença do escritor. Lancharemos e brindaremos à vida, às artes e à literatura também. Estaremos felizes por esta realidade. Milagre? Também sonho permitido.

amortedoartista.wordpress.com
mortedoartista@gmail.com
facebook/amortedoartista

jef, maio 2018

terça-feira, 9 de maio de 2017

Sobre o nº 1 da revista «A Morte do Artista», Maio 2017



















Falar sobre a realização de um projecto não é difícil.
Um projecto deve partir de uma animada conversa de café, unindo esforços e diversão, promovendo algum planeamento e rigor, tentando a simplicidade já que a complexidade, todos sabemos, vem depois. Sempre.
A revista «A Morte do Artista» no seu nº 1 não foi nada difícil de concretizar. Bastou juntar a vontade de a publicar de um grupo de amigos, amigos, cuja intuição é tão abstracta quanto pragmática. Carina Bernardo, Fernanda Cunha, Firmino Bernardo, Manuel Halpern, Paulo Romão Brás e o escriturário que em baixo assina.

A primeira impressão é a da imagem, do toque. No primeiro instante, só os sentidos começam a ler… 
Formato não muito comum, quase quadrado, 21 x 22 cm, 58 páginas, design forte, imagem de um vigor indiscutível. A obra é do Paulo Romão Brás que lhe impõe o espelho de um passado que chega ao futuro para lhe resgatar a memória e acusá-lo, pouco depois, de a esquecer. Parábolas densas, Dark Parables. A esse mundo estranho da fotografia-pintura junta-se um outro artista, André Ruivo, que traz os seus saltimbancos malacuecos, traço negro e incisivo, dir-se-ia circense. Nunca sabem se pretendem saltar para dentro da arena festiva ou para o interior dos seus corações magoados.
Salta igualmente, no início, a fotografia (cuja autoria não foi identificada) de um escritor único que decidimos premiar nesta edição. Uma decisão lógica porque as suas letras estão presentes nas constantes discussões do café acima referido. Mário de Carvalho. Escritor asinho e inovador, de quem jamais qualquer criatura com dois dedos de caco afirmará: «O gajo anda sempre a escrever o mesmo livro!». Basta analisar a imagem para entender o espírito do criador e ficar com água na boca sobre o texto inédito, magnífico, aqui publicado, que o autor escreveu sobre o tema.
(Agora, já as letras nos cativam, caracteres de bom tamanho e boa figura, espaço interlinear agradável, leitura confortável.)

No final, Natália Constâncio, desde há tantos anos investigadora da obra, apresenta um circunstancial artigo sobre ironia e paródia no contexto do rigor estético de Mário de Carvalho. Mas há mais.
Carlos Bessa impõe a sua poesia que rejeita a poesia e o lado moribundo que, quantas vezes, as palavras impõem ao criador.
Temos uma paródia sobre quem pretendeu a coroa de glória como domador de leões, o famoso ‘Joe Sans Peur’. História entre a comédia negra e a fantasia delirante, de Pedro Castro Henriques.
E um texto sintáctico sobre a estranha morfologia da língua das gentes de Miranda. Que raio de verbos reflexivos usam eles… e com que ganas… e que belo é o tom suave mas sonoro daqueles sons… Alfredo Cameirão.
E, ainda, mais alguns textos desses que um dia se chamaram «A Morte do Artista» por fazerem propaganda aos próprios livros.
Pelo fim, lá aparecem capas e preços, os livros dos presunçosos!

Abraço grande e até dia 13 de Maio de 2017, pelas 16h30, na Biblioteca Camões, Largo do Calhariz ao Chiado, em Lisboa. Daremos o prémio com a presença do escritor. Lançaremos e a revista e o convívio à paisagem do Tejo. Estaremos felizes pela realização desta revista.

jef, maio 2017