É
um acto extremo e poético sobre a condição feminina perante a maternidade, o
existencialismo mais puro e o desespero da solidão. Também é um acto simbólico sobre
como olhar o cosmos, a natureza, corpo, a origem da vida e o acaso que lhe está
subjacente. “Naquele Tempo”, sobretudo sobre o Tempo.
Um
acto sobre a beleza e o passo dado em direcção à finitude. O professor cita-se
Hölderlin enquanto Eva escuta: “Cada um vai e cada um chega ao lugar a que pode
esperar chegar”, o último verso escrito, o último verso da Terra. Ouve-se Bach
e Dvorak.
Depois disto, Maria, a basquetebolista, José, o taxista, só podem deixar partir Jesus. Ele regressará pela Páscoa ou pelas Trindades. Entretanto Gabriel, contrafeito, levanta a mão e diz-lhe: “Eu vos saúdo, Maria.”
Inicialmente,
em «O Livro de Maria», a curta metragem de Anne-Marie Miéville, a pequena Maria
vê-se acolhida alternadamente na casa da mãe e na casa do pai. E ela dança ao
som de um disco de Malher. O pai ensina-lhe a diferença que existe entre os
triângulos. A mãe toma banho com ela. Por fim, sozinha, e perante a original
emergência do ovo, ela decide que o melhor é cozê-lo!
jef,
outubro 2026
«Eu vos saúdo, Maria» (Je vous salue, Marie) de Jean-Luc Godard. Com Myriem Roussel (Maria), Thierry Rode (José), Philippe Lacoste (Anjo Gabriel), Manon Andersen (a Menina), Malachi Jara Kohan (Jesus), Juliette Binoche (Juliette), Dick (o cão), Georges Staquet, Anne Gautier (Eva), Johan Leysen, Gisele Musy, Serge Musy. Argumento: Jean-Luc Godard. Produção: Yves Peyrot, Alain Sarde. Fotografia: Jacques Firmann, Jean-Bernard Menoud. Montagem: Anne-Marie Miéville. Som: François Musy. Música: Johann Sebastian Bach, Antonin Dvorak. França, 1984, Cores, 72 min.




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