Um
filme que parece ser feito para a enorme actriz Rita Cabaço (Susana). Depois, para
Beatriz Batarda (Catarina), depois, para Margarida Marinho (Francisca). Um
filme para elas, deixando o expressionismo da música (Ginevra Nervi), da
fotografia (Kamil Plocki) e do som (Pedro Adamastor, Pedro Anacleto, Paulo Lima)
fazer o trabalho de alerta, incómodo e expectativa que o espectador vai
experimentando nesta história contada pelas três mulheres. Várias famílias, ou
uma só encerrada numa velha propriedade no Alentejo que se vê cercada pela
terra, pelo fogo e pela água (ou pela sua falta). Catarina faz jogging debaixo
do calor, escreve livros pagos pelo marido ausente e tem pesadelos. Francisca,
a residente, é artista plástica e ceramista, bebe bastante e tem uma notícia
que a transtorna. Susana faz de tudo, toma conta de tudo, gere o absurdo e o
fogo que se aproxima. Lourenço (Jorge Andrade), o irmão empreendedor, não
conta, tenta chegar a tudo mas não atinge nada nem ninguém. Uma família e uma
comunidade prisioneira numa sala fechada com murais pintados alusivos ao
colonialismo. Todos os problemas do Mundo, de Portugal, da luta de classes e de nós em pouco mais
de 100 minutos, fazendo lembrar, nalgumas cenas finais, a claustrofobia de «O
Anjo Extreminador» de Luis Buñuel (1962).
Um
filme familiarmente exaustivo, intenso politicamente, esteticamente provocador,
cheio de actrizes maiores (ainda vemos Márcia Breia e Rita Redshoes), mas que
parece tentar dar um passo demasiado largo para o comprimento da própria perna
(como agora se utiliza na política e no dia a dia).
jef,
junho 2026
«18
Buracos para o Paraíso» de João Nuno Pinto. Com Margarida Marinho, Rita Cabaço,
Beatriz Batarda, Luísa Ortigoso, Jorge Andrade, Joana Bernardo, Carolina
Monteiro, Filomena Gigante, Rita Redshoes, Günther Götsch, Márcia
Breia, José Pimentão, Gonçalo Coré, Rodrigo Fortuna, Matilde Teixeira, Inês
Castro Dias, Leonor Matos, José Grilo, Leonel Neves, Hugo Bentes, André Espada,
Teresa Pizarro, Iris Marques. Argumento:
Fernanda
Polacow. Produção: Laura Huberman, Andreia Nunes, Ramiro Pavón. Fotografia: Kamil
Plocki. Música: Ginevra Nervi. Som: Pedro Adamastor, Pedro
Anacleto, Paulo Lima. Guarda-roupa: Lucha d'Orey. Portugal /
Argentina / Itália, 2025, Cores, 108 min.




















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