sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Sobre o filme «Naza» de Yuval Abraham e Rachel Szor



 











Antes de mais, «Naza» é um belo exemplo de cinematografia. Ou, mais simples e apesar do que se ouve, um belíssimo filme! Sob a luz negra da noite de Telavive, sob as janelas iluminadas mostrando a tranquilidade familiar, seccionada, pois nunca se vê a identidade dos rostos, num jogo preciso de enquadramentos, triangulações, pontos de fuga ou linhas de convergência; alternando com a azáfama rodoviária das grandes vias iluminadas pelos faróis da grande cidade; banhado pelas negras águas mediterrânicas; num simples terraço, são entrevistados por Yuval Abraham, o realizador, 24 militares da tecnológica elite militar israelita, que não são identificados por óbvios motivos. Mais uma vez a obscuridade é a alma do negócio ou da chacina. Conta-se como as casas e os bairros de Gaza eram digitalmente identificados, parametrizados e escolhidos por electrónica e inteligência artificial. Escolhidos os alvos onde supostamente viviam elementos do Hamas e enviadas bombas certeiras para os atingir. Não interessava saber-se quem seria atingido ou sacrificado. Era mais um jogo que divertia quem o jogava mesmo sabendo que matavam famílias inteiras, velhos, mulheres e crianças. Algumas vezes, o elemento identificado supostamente como sendo do Hamas saía ileso. Nada se vê sob a citada luz negra de Telavive, o militar apenas ilustra com um desenho a branco e preto, bairro a bairro, andar por andar, os prédios de Gaza que devem ser destruídos pelas bombas. Apenas um critério, o genocídio em Gaza.

Naturalmente, as imagens omissas vêm recordar o monumental filme de Claude Lanzmann «Shoah» (1985) sobre o Holocausto nazi, Treblinka ou Auschwitz-Birkenau, onde as possíveis imagens são permanentemente substituídas pela das figuras entrevistadas. Nada mais, pois o que se pretendia com o Holocausto não era apenas chacinar um povo, mas destruir-lhe o essencial, o espaço, a história e as memórias.

«Naza», pela sua contundente “noite sem imagens” também recorda o surpreendente filme «A Imagem que Falta» de Rithy Panh (2013) onde Camboja e o seu povo foi despojado integralmente da sua vida da sua cultura, das suas aldeias. Até o nome lhes foi retirado pelo regime de Pol Pot e dos Khmer Vermelho, entre 1975-1979. Um filme que o realizador filmou através da transfiguração das atrocidades por marionetas (numa espécies de “stop motion”) pois tudo o que existia como documentos foi sistematicamente destruído pela ditadura. A memória como futura ameaça.

A memória, uma permanente ameaça para o futuro, como acontece actualmente (e novamente) em Gaza e aqui descrita por quem, a partir de Israel, era pago para obliterar a história e o povo palestinianos, convidados aqueles para um jogo real-letal executado por consolas militares. Afinal, uma certa banalidade do mal, e respectiva oficialização, lembrando Eichmann e as célebres palavras de Hannah Arendt.

Saio do cinema, com a sala quase esgotada e depois de uma salva de palmas por parte dos espectadores. Saio em silêncio, estranhando o ódio sistemático dos isrealitas perante o povo ancestral daquelas paragens, estranho ainda mais um genocídio praticado por que já sofreu um dos maiores horrores da história da humanidade. Talvez o judeu Sigmund Freud soubesse explicar o facto “de uma criança abusada vir a transformar-se num pai abusador”. 

Shoah por Shoah. Ou como quem diz, proverbialmente: “Não peças a quem pediu, nem sirvas a quem serviu”.


jef, outubro 2026

«Naza» de Yuval Abraham e Rachel Szor. Com Yuval Abraham. Argumento: Yuval Abraham e Rachel Szor. Produção: Jonathan Glazer, James Wilson, The Guardian. Fotografia e  montagem: Rachel Szor. Reino Unido, 2026, Cores, 80 min.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Sobre o filme «O Vídeo de Benny» de Michael Haneke, 1992



 





















A semente da violência em contraponto com o processo imoral da assunção da culpa.

«O Vídeo de Benny» é uma das obras mais integras e condensadas no abecedário do realizador, onde o fulcro da narrativa se fixa na expressão silenciada, sempre quase silenciosa, de Benny, a expressão da total aparente inocência do actor Arno Frisch (que veremos cinco anos depois em «Brincadeiras Perigosas»). 

Tudo está perfeito no mundo das cassetes vídeo que se alugavam por dias na loja. Tudo está estável na serenidade burguesa da família de Benny, 14 anos. Os pais (Angela Winkler e Ulrich Mühe) passam o fim de semana na quinta e Benny enclausura-se no quarto pouco arejado da casa de Viena. Tudo é filmado e o resultado acumulado nas cassetes é mais verosímil de que a realidade. Benny encontra na loja uma rapariga (Ingrid Stassner), também ela fascinada pelos vídeos na loja e convida-a para casa. Depois, há que experimentar, há que ir mais além.

Tudo é descrito na sombra crua e pixelizada do vídeo. Tudo fica registado para memória futura. Aqui não há culpa, nem sequer remorso. Apenas pragmatismo numa sociedade que se abstém (ou se desvia) da empatia emocional.

Um filme rigoroso e brutal que mostra como Haneke é o mestre da génese da violência e da exegese da suspeição na sociedade ocidental.

Da trilogia da Glaciação fazem parte ainda «O Sétimo Continente» (1989) e «71 Fragmentos de uma Cronologia do Acaso» (1994).


jef, outubro 2026

«O Vídeo de Benny» (Benny’s Video) de Michael Haneke. Com Arno Frisch, Angela Winkler, Ulrich Mühe, Ingrid Stassner, Stephanie Brehme, Stefan Polasek, Christian Pundy, Max Berner, Hanspeter Müller, Shelley Kästner, Wolfgang Böck, Cecile Gordon, Paulus Manker. Argumento: Michael Haneke. Produção: Veit Heiduschka, Bernard Lang. Fotografia: Christian Berger. Montagem: Marie Homolkova. Som: Karl Schlifelner. Guarda-roupa: Erika Navas. Áustria / Suíça, 1992, Cores, 110 min.

Sobre o livro «O Alienista» de Machado de Assis, Guerra e Paz, Colecção Clássicos n.º 44, 2026 (1882)



 







Como podemos, hoje, interpretar «O Alienista»?

Como uma sintomática charla, quase burlesca, executada em 13 episódios / capítulos, sobre a equidade científica do julgamento perante o próprio acto de julgar a sanidade mental e o afastamento de cada indivíduo face à norma estatística do comportamento humano?

Exemplo 1. «– Trata-se de coisa coisa mais alta, trata-se de uma experiência científica. Digo experiência, porque não me atrevo a assegurar desde já a minha ideia; nem a ciência é outra coisa, Sr. Soares, senão uma investigação constante. (…) A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente.»

Exemplo 2. Fala o vereador Sebastião Freitas: «– Nada tenho que ver com a ciência; mas, se tantos homens em quem supomos juízo são reclusos por dementes, quem nos afirma que o alienado não é o alienista?»

Como uma paródia triste sobre o acto político e a volatilidade da ideia colectiva e das convicções sociais?

Exemplo. «Entretanto a arruaça crescia. Já não eram trinta, mas trezentas pessoas que acompanhavam o barbeiro. (…) A ação podia ser restrita – visto que muita gente, ou por medo, ou por hábitos de educação, não descia à rua, mas o sentimento era unânime, e os trezentos que caminhavam para a Casa Verde – dada a diferença de Paris e Itaguaí – podiam ser comparados aos que tomaram a Bastilha.»

Como um romance rápido, em forma de novela (já que foi inicialmente publicada como folhetim num periódico). Sagaz, mordaz, divertido, sarcástico até à medula, imparável de ler.

Exemplo no início. «Aos quarenta anos casou com D. Evarista da Costa e Mascarenhas, senhora de vinte cinco anos, viúva de um juiz-de-fora, e não bonita nem simpática. Um dos tios dele, caçador de pacas perante o Eterno, e não menos franco, admirou-se de semelhante escolha e disse-lho. Simão Bacamarte explicou-lhe que D. Evarista reunia condições fisiológicas e anatômicas de primeira ordem, digeria com facilidade, dormia regularmente, tinha bom pulso, e excelente vista; estava assim apta para dar-lhe filhos robustos, sãos e inteligentes.

(…) D. Evarista mentiu às esperanças do Dr. Bacamarte, não lhe deu filhos robustos nem mofinos»

Acima de tudo, «O Alienista» é um texto muito ágil, um humorístico scherzo quase musical, um tratado nostálgico sobre a eterna impraticabilidade da inteligência humana.


jef, outubro 2026

 

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Sobre o filme «Natal Amargo» de Pedro Almodóvar, 2025



 


























«Negros Hábitos» (1983), «Tudo Sobre a Minha Mãe» (1999) ou «Fala com Ela» (2002)...

A meio do filme «Natal Amargo» perdi-me na história e comecei a recordar todos os filmes de Almodõvar que me encantaram e encantam ainda. São muitos… Depois voltei a tentar seguir a história e dei-me conta de que estava a apreciar de novo o magnífico colorido, a produção de Agustín Almodóvar, a música de Alberto Iglesias, as linhas definidas pelos corpos das personagens, pelo seu guarda-roupa em contraste com a belíssima composição cénica, os adereços escolhidos a dedo, as actrizes sempre a um passo da comoção ao som da híper-dramática «La Llorona» de Chavela Vargas, e as lágrimas, sempre as lágrimas, nos grandes planos daquelas belas expressões.

Mas e a história?...

Parece que Almodóvar tentou mergulhar em si próprio mas não conseguiu sair da superfície do plano de água – Punindo-se através daquela cena muito particular em que a médica pergunta à personagem principal, Elsa (Bárbara Lennie), que emana do guião que está a ser escrito pelo segundo personagem principal, Raúl (Leonardo Sbaraglia): O que é um “director” (realizador) de culto, se ela faz parte de alguma seita…

O humor esvai-se aos poucos, lentamente, e todas aquelas belas mulheres choram, choram muito. As figuras vêm de um mundo que só a elas próprias diz respeito deixando os espectadores de fora.

A vibração caótica e fulgurante que nos guiava pela fantasia colorida da realidade de «A Lei do Desejo» (1987) ou de «Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos» (1988) ou «Voltar» (2006), onde está? Afinal, o filme vai-se perdendo numa espécie de comiseração flagelada sem nos chegar verdadeiramente ao coração, sem chegar ao climax emocional, tão criativo e tão particular em Pedro Almodóvar.

E é uma pena. Pois eu gostaria muito de ter adorado o filme!

(Felizmente ainda vemos, por momentos, Rossy de Palma).


jef, outubro 2026

«Natal Amargo» (Amarga Navidad) de Pedro Almodóvar. Com Bárbara Lennie, Leonardo Sbaraglia, Victoria Luengo, Patrick Criado, Quim Gutiérrez, Carmen Machi, Gloria Muñoz Gloria Muñoz, Nico Martín, Amaia Romero, María Morales, Rossy de Palma, Milena Smit, Aitana Sanchéz-Gijón. Argumento: Pedro Almodóvar. Produção: Agustín Almodóvar. Fotografia: Pau Esteve Birba. Som: Knud Kristensen. Música: Alberto Iglesias. Direcção artística e arte: Antxón Gómez, Isabel Peinado, Carlota Casado. Guarda-roupa: Paco Delgado. Espanha, 2026, Cores, 111 min.

 

Sobre o filme «Laura» de Otto Preminger, 1944



 

































Procuro versões da canção «Laura» (David Raksin / Johnny Mercer). Facilmente encontro nos discos de Ella Fitzgerald ou Julie London, por exemplo. Sem dúvida que a canção ressoa sobre todo o filme, desde o início (sem as palavras de Johnny Mercer), e sobre o retrato de Laura como um dos factos mais misteriosos do filme, tal como a voz off que nos cativa a favor da perspectiva de quem a pronuncia, tomando nós pela voz da verdade. No entanto, o mistério que se adensa em torno do fantasma de Laura (Gene Tierney) e da paixão espiritual e, depois, pós-platónica do detective McPherson (Dana Andrews), é sobretudo um apuro dramático em que todos dialogam sem interrupção sobre um crime que, parece, esses todos, levarem com leve ânimo: Waldo Lydecker (Clifton Webb), Shelby Carpenter (Vincent Price) ou Anne Treadwell (Judith Anderson). O sedutor fantasma, afinal, serve para colocar em confronto quatro ou cinco escalas sociais que surgem mais ou menos aristocráticas mas que todas pertencem à pequena burguesia endinheirada. Salve-se Bessie Clary (Dorothy Adams), a empregada devota e protectora de Laura. E claro, o detective McPherson, esse ser distante e próximo, profissional e apaixonado, em simultâneo.

Leio também com devota atenção a folha da cinemateca de João Bénard da Costa. Tudo ali faz sentido e cobre de senso o argumento que nos vai dando pistas acusatórias sobre todos e a todas elas nega o sentido. Supremo humor! Como será possível que as personagens se persigam constantemente, entrem nas casas uns dos outros (na de Laura, principalmente) com o beneplácito do circunspecto caderninho de apontamentos de McPherson, Numa espécie de filme "de Portas". Todos parecem suspeitar de todos ou todos desejarem ou odiarem, sempre com um sorriso sarcástico ou com matreira displicência.

E ainda temos os decores, os adereços, os fatos e os vestidos, os chapéus! Tudo parece ser feito para em nada o espectador poder acreditar mas cuja verossimilhança não somos incapazes de resistir, como se o espectador representasse a personagem final deste supremo filme negro desses encantados anos 40 do cinéfilo século passado.  


jef, outubro 2026

«Laura» de Otto Preminger. Com Gene Tierney (Laura Hunt), Dana Andrews (Mark McPherson), Clifton Webb (Waldo Lydecker), Vincent Price (Shelby Carpenter), Judith Anderson (Anne Treadwell), Dorothy Adams (Bessie Clary), Kathlenn Howard (Louise), James Flavin (McAvity). Argumento: Jay Dratler, Samuel Hoffenstein e Betty Reinhardt, baseado num conto de Vera Casparay. Produção: Otto Preminger para a 20th Century Fox. Fotografia: Joseph LaShelle. Música: David Raksin. Guarda-roupa: Bonnie Cashin. EUA, 1944, Cores, 88 min.

 

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Sobre o livro «A Cura» de Pedro Eiras, Assírio & Alvim, 2017



 







Talvez seja altura de revermos «A Interpretação dos Sonhos» de Sigmund Freud (Relógio D’Água, 2009), o «Rei Édipo» de Sófocles (Edições 70, 2006) ou o Eclesiastes na edição da Bíblia dos Capuchinhos, por ser a mais católica. Ou, então, observemos apenas o ovoide rezingão Humpty Dumpty, sentado no alto do muro, n’«O Outro Lado do Espelho».

Em «A Cura» ficamos com a ideia de que o Inferno até nem será um local assim não hostil se não permanecermos a autoflagelar-nos com esse vaivém obsessivo de martírio-culpa-impulso recalcado-pecado-perdão. Tudo está condensado, contido, reflectido dentro de nós. A solução permanece connosco. Esqueçamos, afinal, que do outro lado do espelho, reflexo do reflexo, está um super-gigante Eu pronto a apontar o dedo a quem se penteia deste lado.

Nada é possível revelar deste livro composto por um Prólogo e um Epílogo tendo por miolo o conteúdo de treze consultas de análise cujo registo, afinal, o leitor está antecipadamente proibido de ler. Ora, desta forma, ao terminar a leitura ele, o leitor, fica cúmplice de uma afronta ou de um crime, para sermos dramáticos, pois o recalcamento de que vamos sendo coniventes vai desaguar, sem apelo nem agravo, no assassinato de Laio, o pai de Édipo, esquecendo Jucasta e sem Antígona que nos salve, nem Creonte que nos ofenda.

Uma espécie de confronto de lógicas que devemos seguir como entradas antagónicas de uma enciclopédia universal – a fé absoluta e dogmática em algo superior que nos conduz, protege e condena, contra a consciência e auto-conhecimento do que nasce connosco ou que nos é inculcado por convivência ou educação parental.

Eis um livro que em formato de novela, escrito com a clássica mestria de Pedro Eiras, torna-se numa leitura imparável, revelando-se uma verdadeira, séria e comovedora comédia sobre os contrários que movimentam permanentemente a sociedade ocidental.

Um romance que, se atentarmos na permanente e sucessiva dicotomia de pensamentos, nos oferece o paraíso e o inferno em simultâneo e um óptimo modo de auto-reflexão e divertido exercício neurológico.


jef, junho 2026

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Sobre o filme «71 Fragmentos de uma Cronologia do Acaso» de Michael Haneke, 1994



























Nada a esconder. São realmente 71 fragmentos na vida de uma cidade que vive os últimos meses de 1988: Viena. Cruzando as várias histórias, ouvimos as notícias televisivas sobre Sarajevo, o Líbano, sobre Israel e o Hezbollah, também sobre Michael Jackson. As diversas famílias ou o que delas resta, as suas histórias em flashback, vão-se sobrepondo em planos rápidos inconclusivos ou lentos, sem fim. Não nos é permitido deixar de olhar. A resposta está no início com a notícia de um massacre numa dependência bancária levado a cabo por um estudante que em seguida se suicida com uma bala na cabeça. De resto, Nada a Esconder.

Michael Haneke não consegue suavizar a violência que se abate sobre cada indivíduo. A violência como catarse, como móbil ou expiação. Sem música orquestrada, apenas o som do desespero, da expectativa sem fim mas com agonia. Tendo a sociedade por algoz.

Michael Haneke é o artífice do argumento para o medo, abstracto e silencioso, onde a angústia sem redenção subjuga. 

Este filme, faz-me recordar «Código Desconhecido» (2000), passado em Paris. A eterna suspeita, o eterno silêncio, o eterno desconhecido que nos ataca. 

Ninguém descreve o horror e a solidão do pânico como o autor austríaco.

Os filmes de Michael Haneke metem-me medo da realidade mas, quando se compravam DVD, eu coleccionava-lhe os filmes.

«71 Fragmentos de uma Cronologia do Acaso» é perfeito como uma “master class M. H." para a qual entrámos como intrusos, sequer fomos convidados!


jef, setembro 2026

«71 Fragmentos de uma Cronologia do Acaso» (71 Fragmente einer Chronologie des Zufalls) de Michael Haneke. Com Gabriel Cosmin Urdes, Lukas Miko, Otto Grünmandl, Anne Bennent, Udo Samel, Branko Samarovski, Claudia Martini, Georg Friedrich, Alexander Pschill, Klaus Händl, Corina Eder, Dorothee Hartinger, Patricia Hirschbichler, Barbara Nothegger, Gudrun Gutt, Michael Jackson. Argumento: Michael Haneke. Produção: Veit Heiduschka, Willi Segler. Fotografia: Christian Berger. Montagem: Marie Homolkova. Som: Marc Parisotto. Guarda-roupa: Erika Navas. Áustria, 1994, Cores, 100 min.