terça-feira, 30 de junho de 2026

Sobre o livro «Nevoeiro – Uma Investigação» de Pedro Eiras, Assírio & Alvim, 2026

 



 







Sem dúvida, este romance é uma investigação que o autor cede ao leitor. Um curto período de tempo, de Outubro de 1933 a Novembro de 1935. Três personagens (mais uma) percorrem um dos lados mais sombrios de Portugal: Salazar, o Presidente do Conselho; António Ferro, o Director do Secretariado da Propaganda Nacional; e Fernando Pessoa, o do Orpheu e da Mensagem, (mais um autor, professor, investigador que tenta não se angustiar, não naufragar no mar amplo de informações, documentos, artigos, fotografias, cartas e letras minúsculas quase ilegíveis. Esse autor que nos comoveu com os múltiplos reflexos emocionais (audíveis) do compositor maior, com o livro «Bach» (Assírio & Alvim, 2014), publica agora um nevoeiro sem sombras sobre o Portugal cinzento do Estado Novo que nunca soube lidar com as diversas personagens de Fernando Pessoa. Um Portugal que acumulou História e tragédia, repressão, censura e morte ao longo dos séculos mas que tentou dar um prémio a um poeta tão imaginado como imaginário, tão solitário quanto boémio, tão reverente quanto iconoclasta, um poeta incompreendido que era a essência da sua própria poesia.

Se «Bach» já ensinava a ler e, no meu caso que tenho a pretensão da escrita, a escrever, ler «Nevoeiro – Uma Investigação» ensina a ler um País e uma época, e todas as que lhe antecederam, através de uma aparente simplicidade que é, afinal, tão fácil de ler. Aparentemente, pois o autor, professor, investigador suou as estopinhas, digamos, sofreu as estopinhas para nos dar tal simplicidade. Quase um livro policial (daqueles “duros” como os de Georges Simenon) a ser lido avidamente, mas sem pressa. Na essência, também um livro político porque vai impor a minha consciência sobre a ignorância de factos trágicos, sem dúvida factos reais, que foram sendo dourados a bem de uma Pátria que louvava Deus e a Família sobre toda a ignomínia e tanto sacrifício.

Neste livro, Pedro Eiras usa a própria estratégia literária (e ele tem um modo literário de que é único proprietário) de nos dar o interior emotivo de cada um dos quatro personagens quando confrontados com o isolamento. Ou seja, dá-nos a ler uma belíssima prosa sobre a solidão: Salazar entra na igreja, quase se esconde e se comove. António Ferro é confrontado com Fernando Pessoa que escreve Liberdade e se aproxima da Maçonaria, quando o Estado Novo impõe a sua extinção, António Ferro aflige-se e sua da testa. Fernando António Nogueira Pessoa, um homem nu na casa de banho faz a barba frente ao espelho, apara o bigode, fuma também, então “decide que chegou o momento de atapetar a vida contra o mundo e contra si próprio”. O autor investigador professor sente-se quase traído pela dimensão hercúlea do trabalho a que se propôs, lê muito e precisa de dar a sua opinião sobre a História, ele confessa que a literatura histórica é sempre uma leitura contemporânea dos factos passados, a que ele, Pedro Eiras, tem direito, não enjeita, pelo contrário, deseja afirmar, não deixando de esclarecer na Nota Final todas as fontes consultadas, a bem da verdade da investigação. Essa é a grande liberdade, a maior responsabilidade e também vantagem de ler este romance, porque, repito, este livro é um romance que se divide entre a “Paz” adiada e a “Guerra” declarada.

Mas a par com o prazer consciente de leitura que «Nevoeiro – Uma Investigação» nos entrega, vem essa poesia, quase carinho descritivo, com que Pedro Eiras cobre as personagens, os espaços e a cidade, fazendo deste um romance obrigatório.


jef, junho 2026

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Sobre o livro «O Desfufador – Vol.1 Contágio» de Valério Romão, Tinta da China, 2025



 







Não se pode dizer que Valério Romão, aqui, seja um “agent provocateur”. Ele não pretenderá ser alguém infiltrado nas hostes contrárias para provocar a denúncia e prender o refractário. Também não estamos naquelas épocas violentas produto das terras gaulesas.

O que o autor consegue é um enorme romance novelesco, entre o picaresco e a crónica de costumes onde ninguém sai ileso. E estamos apenas no primeiro volume, onde a narrativa, para desespero do leitor, fica em suspenso ao longo dos derradeiros capítulos, sem título. Enfim, pobre leitor, nada a fazer, deve esperar pela continuação. Entre a Bica, o Cais do Sodré e a Rua de São Paulo, em Lisboa, todos se juntam num momento muito particular para a Humanidade.

Alex, de fraca figura e encantador de golfinhos; Hélder, franzino e dado à intelectualidade; e Alejandro, filho de Bárbara, nascido ao contrário numa família ao contrário, deseja ser faroleiro mas foge de barco.

Mais de meio século após o 25 de Abril e da queda da censura, o mundo contemporâneo da híper-política ou da híper-ventilação opinatva, via tiquetoques, tornou o humor e a crítica acorrentados novamente a novas correntes estruturantes da híper-moral. Pode dizer-se que agora é preciso pensar-se duas vezes antes de dizer uma anedota qualquer, em público ou em privado.

Ora, Valério Romão, afinal agente provocador da moral vigente, arrasa com tudo. Não deixa ninguém de fora do sistema e coloca-os a todos dentro do sistema do absurdo numa narrativa que vais acelerando para o fim e, que, até lá, disserta sobre quantos assuntos aprouver – a etnia, a escolha política, a sexualidade, os usos, os costumes, a barbárie e a fala do povo, não sem, aqui e ali, se perder a semântica narrativa nalguma urgência de composição das frases. (Talvez, também, a urgência na publicação tenha deixado as gralhas de revisão a provocar a interrupção da leitura).

Contudo, «O Desfufador Vol.1 Contágio» tem aquela vocação da sátiraa crítica sem olhar ao sujeito visado que faculta a liberdade da escrita e desperta a consciência activa no leitor.

Uma escrita que me sugeriu uma série de livros que muito deram que falar e de ler a muitos: «Crónica dos Bons Malandros» de Mário Zambujal (1980), «O Que Diz Molero» de Dinis Machado (1977), «Coca-Cola Killer» de António Victorino D'Almeida (1981) ou «Cá Vai Lisboa» de Alface (2004).

Nem provocador, nem refractário, este volume 1 de «O Desfufador» é um belo presente ao direito independente de pensar a escrita e a leitura.

Aguardemos o próximo episódio.

 

jef, junho 2026

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Sobre o filme «18 Buracos para o Paraíso» de João Nuno Pinto, 2025



 

































Um filme que parece ser feito para a enorme actriz Rita Cabaço (Susana). Depois, para Beatriz Batarda (Catarina), depois, para Margarida Marinho (Francisca). Um filme para elas, deixando o expressionismo da música (Ginevra Nervi), da fotografia (Kamil Plocki) e do som (Pedro Adamastor, Pedro Anacleto, Paulo Lima) fazer o trabalho de alerta, incómodo e expectativa que o espectador vai experimentando nesta história contada pelas três mulheres. Várias famílias, ou uma só encerrada numa velha propriedade no Alentejo que se vê cercada pela terra, pelo fogo e pela água (ou pela sua falta). Catarina faz jogging debaixo do calor, escreve livros pagos pelo marido ausente e tem pesadelos. Francisca, a residente, é artista plástica e ceramista, bebe bastante e tem uma notícia que a transtorna. Susana faz de tudo, toma conta de tudo, gere o absurdo e o fogo que se aproxima. Lourenço (Jorge Andrade), o irmão empreendedor, não conta, tenta chegar a tudo mas não atinge nada nem ninguém. Uma família e uma comunidade prisioneira numa sala fechada com murais pintados alusivos ao colonialismo. Todos os problemas do Mundo, de Portugal, da luta de classes e de nós em pouco mais de 100 minutos, fazendo lembrar, nalgumas cenas finais, a claustrofobia de «O Anjo Extreminador» de Luis Buñuel (1962).

Um filme familiarmente exaustivo, intenso politicamente, esteticamente provocador, cheio de actrizes maiores (ainda vemos Márcia Breia e Rita Redshoes), mas que parece tentar dar um passo demasiado largo para o comprimento da própria perna (como agora se utiliza na política e no dia a dia).


jef, junho 2026

«18 Buracos para o Paraíso» de João Nuno Pinto. Com Margarida Marinho, Rita Cabaço, Beatriz Batarda, Luísa Ortigoso, Jorge Andrade, Joana Bernardo, Carolina Monteiro, Filomena Gigante, Rita Redshoes, Günther Götsch, Márcia Breia, José Pimentão, Gonçalo Coré, Rodrigo Fortuna, Matilde Teixeira, Inês Castro Dias, Leonor Matos, José Grilo, Leonel Neves, Hugo Bentes, André Espada, Teresa Pizarro, Iris Marques. Argumento: Fernanda Polacow. Produção: Laura Huberman, Andreia Nunes, Ramiro Pavón. Fotografia: Kamil Plocki. Música: Ginevra Nervi. Som: Pedro Adamastor, Pedro Anacleto, Paulo Lima. Guarda-roupa: Lucha d'Orey. Portugal / Argentina / Itália, 2025, Cores, 108 min.

 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Sobre o livro «À Beira Rio – Flor do Tejo / 75 Anos» de João Vieira e Paulo Andrade, Viva a Preguiça, 2025



 
































«À Beira Rio» levou 75 anos a ser escrito, ou arquitectado, ou fotografado, ou paginado, ou editado. Os autores, João Vieira e Paulo Andrade, preferem assim dar tempo ao tempo, dar tempo ao Tejo e ficar por ali a dar-nos conversa. O tempo ali não se compara, é lento.

«À Beira Rio» tem no centro ou na margem Vila Franca de Xira e o Tejo.

«À Beira Rio» tem 25 x 18 centímetros, 136 páginas, 6 capítulos, folha branca nada menos do que 100 gramas. Encadernação ao estilo oriental. Tudo feito com recurso à inteligência natural, cada página é construída como um diverso desenho original.

«À Beira Rio», desde a capa, às guardas, aos separadores, tem um motivo, dito “leitmotiv” pelos bárbaros germânicos. Circunferências que se cruzam como aquelas coloridas que aparecem, em número de cinco, de quatro em quatro anos, nos olímpicos jogos. Só que neste caso são em filete negro e o padrão é infinito. É muito interessante, digamos emocionalmente estratégico, essa escolha, já que resulta da cópia da guarda que protege a montra da Flor do Tejo, atafulhada de motivos e bonequinhos náuticos. Uma montra que, quando o Bar-Taberna se apresenta aberto, ninguém repara mas que todos olham com saudade, talvez algum rancor, quando passam, durante a semana, frente ao pequeno centro cultural com povo, patos, arte, livros, moscatel e caracóis, e constatam a desfaçatez de as suas portas e esplanada se manterem orgulhosamente trancadas. Exactamente, como a pedra da calçada que só lhe sentimos a importância quando falta.

Sim, este livro conta a história política de labor, resistência, literatura, patuscada e convívio que se foi transformando em Portugal e na beira Tejo durante 75 anos, recordando 25 anos em ditadura e 50+2 em democracia. Eu também por lá estou com sentido e alegria: num texto, numa fotografia e na memória grata que foi por ali perto que comecei a alinhavar o meu último livro.

E quanto é bom sentirmos a inspiração, uma certa alegre profissão, digamos Amor, que se estabelece quando nos aproximamos do intenso ritmo familiar que passa pela Flor do Tejo. Uma alegria afectuosa que devemos, acima de tudo e de todos, ao esforço e energia do João Vieira e do Paulo Andrade.

Assim continuem eles, assim continuo eu, assim continuaremos nós a visitá-los!


jef, junho 2026

terça-feira, 16 de junho de 2026

Sobre a peça «Uma Ideia Genial» de Sébastien Castro. Teatro Maria Matos, 2026.



 
























Uma daquelas comédias de enganos, troca de identidades, muitas portas e alçapões (e uma varanda com a porta estranhamente sempre aberta), que muitos já usaram e que eternamente se repetirão. O dramaturgo francês, Sébastien Castro, escreveu-a em 2022 trazendo à memória outras tantas que fizeram a delícia dos espectadores durante séculos… Shakespeare, Marivaux ou Beaumarchais. Gémeos irmãos confundíveis, sedução e troca de casais, permuta entre classes sociais. Contudo, nesses tempos a troca de identidades entre nobres e criados colocada em teatro era uma questão política e, dizem, ter influenciado mesmo o curso da Revolução Francesa.

Em «Uma Ideia Genial», em 2026, a questão simplifica-se num contexto mundial absurdo e violento oferecendo ao espectador o absurdo da diversão pura e simples – uma questão de terapia emocional.

Ricardo Neves-Neves sempre tem mão lesta e espírito assertivo para dar ainda mais rapidez a uma dramaturgia à partida em passo de corrida, colocando o cenário ao seu serviço, deixando-lhe a parte central da narrativa dramática, quantas vezes acrobática e circense.

Outra parte fundamental é entregue a Ruben Madureira que representa praticamente em simultâneo o Tomás, o Diogo e o Júlio, obrigando o actor a uma extraordinária mudança de modo, carácter e figurino, contracenando com a figura do Alberto, representada por Cristóvão Campos, actor que quando entra em cena sempre lhe entrega uma aura de seriedade. Nada melhor do que o colocar frente a Ruben Madureira.

O lado feminino é entregue a Ana Guiomar, Mariana, a mulher que pretende enganar e é enganada, e à Catarina, que tem dentro uma transformada Sandra Faleiro, vizinha tola e um tudo nada anafada, de líbido exaltado, entrando permanentemente pela varanda sem pedir licença.

Uma comédia mais do absurdo do que de costumes provando a popularidade do teatro que tem esgotado as salas por toda a cidade de Lisboa.


jef, 7 de abril de 2026

«Uma Ideia Genial» de Sébastien Castro. Com Ana Guiomar (Mariana), Cristóvão Campos (Alberto), Ruben Madureira (Tomás, Diogo, Júlio) e Sandra Faleiro (Catarina). Encenação: Ricardo Neves-Neves. Tradução: Ana Sampaio. Cenário: Catarina Amaro. Figurinos: Rafaela Mapril. Desenho de luz: Rui Seabra. Vídeo: João Lourenço e Kimmy Simões. Fotografias: Filipe Figueiredo. Música: Artur Guimarães. Produção: Força de Produção. Teatro Maria Matos. Duração: 90 min.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Sobre a peça «Júlio César Assassinado» de William Shakespeare, segundo o texto de Manuel Jerónimo. Boutique da Cultura, 2026.






 






















Os temas históricos, políticos ou sociais da época clássica são sempre uma metáfora dos dias contemporâneos quando são interpretados, reinventados, talvez mesmo inventados, pelos autores que promovem a respectiva releitura. Promovendo ainda a sua eternidade. Quem não recorda o aviso dos “idos de março” anunciados pelo adivinho Espurina e que Júlio César ignora; ou os sonhos ensanguentados tidos por Calpúrnia, sua esposa, nas vésperas do assassinato; ou a recusa de ser coroado de louro como imperador; ou ainda o afamado ‘também tu, Brutus!?’?

Na realidade, o que na peça Shakespeare destaca é a lealdade pela morte, a devoção a uma cidade, o confronto retórico, político porque público, que coloca em oposição amigos, quase família, de Júlio César – Bruto e Cássio contra António e Octávio, terminando da Batalha de Filipos.

É uma peça, acima de tudo, sobre a ética e a moral no quadro da urbe política face à visão democrática da cidade.

Manuel Jerónimo, com a sua equipa de actores amadores, mas que amam verdadeiramente, digamos assim, profissionalmente o teatro, montam uma redacção completa de jornal que irá acompanhar, para o bem e para o mal, os derradeiros dias de Júlio César e a sequente guerra entre facções. Nada mais eficaz para tornar “actual e público” um facto político vindo da tribuna clássica. E o melhor de tudo é essa alegre jovialidade transmitida por tão excelso grupo de actores amadores, vindos da Oficina da Boutique da Cultura, numa encenação simples que fornece pragmatismo a uma marcação de cena em torno de duas secretárias e algumas cadeiras, uma marcação que faz acrescer dinamismo a uma acto de cena, afinal, um acto dramático de acção conspirativa, finalmente um acto bélico.

Há excelente teatro a fazer-se pelos bairros de Lisboa!


jef, 4 de junho de 2026

«Júlio César Assassinado» de William Shakespeare, segundo o texto e a encenação de Manuel Jerónimo. Com Ana Cotrim, Ana Luísa Guerreiro, Ana Domingos, Ana Maria Tomé, Ana Sofia Rodrigues, André Moura, Elisabeth Carreira, Henrique Nunes, Luísa Pires, Mafalda Gândara, Maria Teresa Escobar, Paulo Raposo, Teresa Sacadura, Teresa Vicente, Zé Duarte Almeida. Fotografia: Pat Blázquez. Produção: Oficinas de Teatro da Boutique da Cultura. Duração: 70 minutos.

 

terça-feira, 2 de junho de 2026

Sobre o filme «My Blueberry Nights – O Sabor do Amor» de Wong Kar Wai, 2007

 


 






















Longe do Oriente luminoso dos anteriores filmes, Wong Kar Wai chega a uma América feita de estrada e também, de certo modo, da melancolia da tradicional “crónica americana”. Por um lado, o filme deve deixar os críticos desesperados pelo baixar de braços do realizador perante a norma de um certo cinema de Hollywood; por outro, coloca o espectador desse cinema num certo plano de tédio face ao vagar com que o realizador vai tecendo as diversas histórias protagonizadas por Elizabeth (Norah Jones) por entre as luzes em reflexo, o brilho refractado pelos vidros das montras dos diners, pelas cores saturadas sobre carros, balcões e fichas ou cartas de poker, pelo derreter do gelado sobre a tarte de mirtilho. Também pela longa espera de um final anunciado.

Mas é, exactamente, esse amor de Wong Kar Wai pela cartilha do cinema americano, transformando-o no seu modo próprio de raras vezes nos dar o panorama ou o grande plano, privilegiando o plano tão próximo, desfocado ou abstracto, sobre objectos e rostos, que encanta. Encanta os belíssimos rostos de Norah Jones, Jude Law, Rachel Weisz, Natalie Portman ou David Strathairn, numa série de retratos quantas vezes ilustrados pelas canções de Norah Jones, Cat Power, Otis Redding, Julie London ou a fabulosa versão de “Harvest Moon” de Neil Young pela não menos fabulosa Cassandra Wilson, ou o Yumeji's Theme de Chikara Tsuzuki. Ou, então, os temas compostos pelo super mago Ry Cooder. (Muita atenção também ao guarda-roupa.)

Sim. O cinema também é feito desse encantamento que não se define, nem se limita por regras ou normas, nem pelo estranho poder de rever algo que já vimos muitas de vezes, entre o road movie, a nostalgia do deserto, a protecção de um diner aberto pela noite fora ou o vídeo-clip com um happy-end, terno e nostálgico.

Um Mundo hoje não presta para nada e eu estava mesmo a precisar de um filme assim.


jef, junho 2026

«My Blueberry Nights – O Sabor do Amor» de Wong Kar Wai. Com Norah Jones, Jude Law, Rachel Weisz, Natalie Portman, Chad R. Davis, Katya Blumenberg, John Malloy, Demetrius Butler. Frankie Faison, David Strathairn, Adriane Lenox, Benjamin Kanes, Cat Power, Michael Hartnett, Michael May, Jesse Garon, Sam Hill, Tracy Elizabeth Blackwell, Michael DeLano, Audrei Kairen, Bill Hollis. Argumento: Wong Kar-Wai e Lawrence Block. Produção: Wong Kar-Wai, Jacky Yee Wah Pang. Fotografia: Darius Khondji e Pun Leung Kwan. Música: Ry Cooder. Guarda-roupa: William Chang, Sharon Globerson. China / França / Hong Kong / EUA, 2007, Cores, 95 min.