sexta-feira, 19 de junho de 2026

Sobre o filme «18 Buracos para o Paraíso» de João Nuno Pinto, 2025



 

































Um filme que parece ser feito para a enorme actriz Rita Cabaço (Susana). Depois, para Beatriz Batarda (Catarina), depois, para Margarida Marinho (Francisca). Um filme para elas, deixando o expressionismo da música (Ginevra Nervi), da fotografia (Kamil Plocki) e do som (Pedro Adamastor, Pedro Anacleto, Paulo Lima) fazer o trabalho de alerta, incómodo e expectativa que o espectador vai experimentando nesta história contada pelas três mulheres. Várias famílias, ou uma só encerrada numa velha propriedade no Alentejo que se vê cercada pela terra, pelo fogo e pela água (ou pela sua falta). Catarina faz jogging debaixo do calor, escreve livros pagos pelo marido ausente e tem pesadelos. Francisca, a residente, é artista plástica e ceramista, bebe bastante e tem uma notícia que a transtorna. Susana faz de tudo, toma conta de tudo, gere o absurdo e o fogo que se aproxima. Lourenço (Jorge Andrade), o irmão empreendedor, não conta, tenta chegar a tudo mas não atinge nada nem ninguém. Uma família e uma comunidade prisioneira numa sala fechada com murais pintados alusivos ao colonialismo. Todos os problemas do Mundo, de Portugal, da luta de classes e de nós em pouco mais de 100 minutos, fazendo lembrar, nalgumas cenas finais, a claustrofobia de «O Anjo Extreminador» de Luis Buñuel (1962).

Um filme familiarmente exaustivo, intenso politicamente, esteticamente provocador, cheio de actrizes maiores (ainda vemos Márcia Breia e Rita Redshoes), mas que parece tentar dar um passo demasiado largo para o comprimento da própria perna (como agora se utiliza na política e no dia a dia).


jef, junho 2026

«18 Buracos para o Paraíso» de João Nuno Pinto. Com Margarida Marinho, Rita Cabaço, Beatriz Batarda, Luísa Ortigoso, Jorge Andrade, Joana Bernardo, Carolina Monteiro, Filomena Gigante, Rita Redshoes, Günther Götsch, Márcia Breia, José Pimentão, Gonçalo Coré, Rodrigo Fortuna, Matilde Teixeira, Inês Castro Dias, Leonor Matos, José Grilo, Leonel Neves, Hugo Bentes, André Espada, Teresa Pizarro, Iris Marques. Argumento: Fernanda Polacow. Produção: Laura Huberman, Andreia Nunes, Ramiro Pavón. Fotografia: Kamil Plocki. Música: Ginevra Nervi. Som: Pedro Adamastor, Pedro Anacleto, Paulo Lima. Guarda-roupa: Lucha d'Orey. Portugal / Argentina / Itália, 2025, Cores, 108 min.

 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Sobre o livro «À Beira Rio – Flor do Tejo / 75 Anos» de João Vieira e Paulo Andrade, Viva a Preguiça, 2025



 
































«À Beira Rio» levou 75 anos a ser escrito, ou arquitectado, ou fotografado, ou paginado, ou editado. Os autores, João Vieira e Paulo Andrade, preferem assim dar tempo ao tempo, dar tempo ao Tejo e ficar por ali a dar-nos conversa. O tempo ali não se compara, é lento.

«À Beira Rio» tem no centro ou na margem Vila Franca de Xira e o Tejo.

«À Beira Rio» tem 25 x 18 centímetros, 136 páginas, 6 capítulos, folha branca nada menos do que 100 gramas. Encadernação ao estilo oriental. Tudo feito com recurso à inteligência natural, cada página é construída como um diverso desenho original.

«À Beira Rio», desde a capa, às guardas, aos separadores, tem um motivo, dito “leitmotiv” pelos bárbaros germânicos. Circunferências que se cruzam como aquelas coloridas que aparecem, em número de cinco, de quatro em quatro anos, nos olímpicos jogos. Só que neste caso são em filete negro e o padrão é infinito. É muito interessante, digamos emocionalmente estratégico, essa escolha, já que resulta da cópia da guarda que protege a montra da Flor do Tejo, atafulhada de motivos e bonequinhos náuticos. Uma montra que, quando o Bar-Taberna se apresenta aberto, ninguém repara mas que todos olham com saudade, talvez algum rancor, quando passam, durante a semana, frente ao pequeno centro cultural com povo, patos, arte, livros, moscatel e caracóis, e constatam a desfaçatez de as suas portas e esplanada se manterem orgulhosamente trancadas. Exactamente, como a pedra da calçada que só lhe sentimos a importância quando falta.

Sim, este livro conta a história política de labor, resistência, literatura, patuscada e convívio que se foi transformando em Portugal e na beira Tejo durante 75 anos, recordando 25 anos em ditadura e 50+2 em democracia. Eu também por lá estou com sentido e alegria: num texto, numa fotografia e na memória grata que foi por ali perto que comecei a alinhavar o meu último livro.

E quanto é bom sentirmos a inspiração, uma certa alegre profissão, digamos Amor, que se estabelece quando nos aproximamos do intenso ritmo familiar que passa pela Flor do Tejo. Uma alegria afectuosa que devemos, acima de tudo e de todos, ao esforço e energia do João Vieira e do Paulo Andrade.

Assim continuem eles, assim continuo eu, assim continuaremos nós a visitá-los!


jef, junho 2026

terça-feira, 16 de junho de 2026

Sobre a peça «Uma Ideia Genial» de Sébastien Castro. Teatro Maria Matos, 2026.



 
























Uma daquelas comédias de enganos, troca de identidades, muitas portas e alçapões (e uma varanda com a porta estranhamente sempre aberta), que muitos já usaram e que eternamente se repetirão. O dramaturgo francês, Sébastien Castro, escreveu-a em 2022 trazendo à memória outras tantas que fizeram a delícia dos espectadores durante séculos… Shakespeare, Marivaux ou Beaumarchais. Gémeos irmãos confundíveis, sedução e troca de casais, permuta entre classes sociais. Contudo, nesses tempos a troca de identidades entre nobres e criados colocada em teatro era uma questão política e, dizem, ter influenciado mesmo o curso da Revolução Francesa.

Em «Uma Ideia Genial», em 2026, a questão simplifica-se num contexto mundial absurdo e violento oferecendo ao espectador o absurdo da diversão pura e simples – uma questão de terapia emocional.

Ricardo Neves-Neves sempre tem mão lesta e espírito assertivo para dar ainda mais rapidez a uma dramaturgia à partida em passo de corrida, colocando o cenário ao seu serviço, deixando-lhe a parte central da narrativa dramática, quantas vezes acrobática e circense.

Outra parte fundamental é entregue a Ruben Madureira que representa praticamente em simultâneo o Tomás, o Diogo e o Júlio, obrigando o actor a uma extraordinária mudança de modo, carácter e figurino, contracenando com a figura do Alberto, representada por Cristóvão Campos, actor que quando entra em cena sempre lhe entrega uma aura de seriedade. Nada melhor do que o colocar frente a Ruben Madureira.

O lado feminino é entregue a Ana Guiomar, Mariana, a mulher que pretende enganar e é enganada, e à Catarina, que tem dentro uma transformada Sandra Faleiro, vizinha tola e um tudo nada anafada, de líbido exaltado, entrando permanentemente pela varanda sem pedir licença.

Uma comédia mais do absurdo do que de costumes provando a popularidade do teatro que tem esgotado as salas por toda a cidade de Lisboa.


jef, 7 de abril de 2026

«Uma Ideia Genial» de Sébastien Castro. Com Ana Guiomar (Mariana), Cristóvão Campos (Alberto), Ruben Madureira (Tomás, Diogo, Júlio) e Sandra Faleiro (Catarina). Encenação: Ricardo Neves-Neves. Tradução: Ana Sampaio. Cenário: Catarina Amaro. Figurinos: Rafaela Mapril. Desenho de luz: Rui Seabra. Vídeo: João Lourenço e Kimmy Simões. Fotografias: Filipe Figueiredo. Música: Artur Guimarães. Produção: Força de Produção. Teatro Maria Matos. Duração: 90 min.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Sobre a peça «Júlio César Assassinado» de William Shakespeare, segundo o texto de Manuel Jerónimo. Boutique da Cultura, 2026.






 






















Os temas históricos, políticos ou sociais da época clássica são sempre uma metáfora dos dias contemporâneos quando são interpretados, reinventados, talvez mesmo inventados, pelos autores que promovem a respectiva releitura. Promovendo ainda a sua eternidade. Quem não recorda o aviso dos “idos de março” anunciados pelo adivinho Espurina e que Júlio César ignora; ou os sonhos ensanguentados tidos por Calpúrnia, sua esposa, nas vésperas do assassinato; ou a recusa de ser coroado de louro como imperador; ou ainda o afamado ‘também tu, Brutus!?’?

Na realidade, o que na peça Shakespeare destaca é a lealdade pela morte, a devoção a uma cidade, o confronto retórico, político porque público, que coloca em oposição amigos, quase família, de Júlio César – Bruto e Cássio contra António e Octávio, terminando da Batalha de Filipos.

É uma peça, acima de tudo, sobre a ética e a moral no quadro da urbe política face à visão democrática da cidade.

Manuel Jerónimo, com a sua equipa de actores amadores, mas que amam verdadeiramente, digamos assim, profissionalmente o teatro, montam uma redacção completa de jornal que irá acompanhar, para o bem e para o mal, os derradeiros dias de Júlio César e a sequente guerra entre facções. Nada mais eficaz para tornar “actual e público” um facto político vindo da tribuna clássica. E o melhor de tudo é essa alegre jovialidade transmitida por tão excelso grupo de actores amadores, vindos da Oficina da Boutique da Cultura, numa encenação simples que fornece pragmatismo a uma marcação de cena em torno de duas secretárias e algumas cadeiras, uma marcação que faz acrescer dinamismo a uma acto de cena, afinal, um acto dramático de acção conspirativa, finalmente um acto bélico.

Há excelente teatro a fazer-se pelos bairros de Lisboa!


jef, 4 de junho de 2026

«Júlio César Assassinado» de William Shakespeare, segundo o texto e a encenação de Manuel Jerónimo. Com Ana Cotrim, Ana Luísa Guerreiro, Ana Domingos, Ana Maria Tomé, Ana Sofia Rodrigues, André Moura, Elisabeth Carreira, Henrique Nunes, Luísa Pires, Mafalda Gândara, Maria Teresa Escobar, Paulo Raposo, Teresa Sacadura, Teresa Vicente, Zé Duarte Almeida. Fotografia: Pat Blázquez. Produção: Oficinas de Teatro da Boutique da Cultura. Duração: 70 minutos.

 

terça-feira, 2 de junho de 2026

Sobre o filme «My Blueberry Nights – O Sabor do Amor» de Wong Kar Wai, 2007

 


 






















Longe do Oriente luminoso dos anteriores filmes, Wong Kar Wai chega a uma América feita de estrada e também, de certo modo, da melancolia da tradicional “crónica americana”. Por um lado, o filme deve deixar os críticos desesperados pelo baixar de braços do realizador perante a norma de um certo cinema de Hollywood; por outro, coloca o espectador desse cinema num certo plano de tédio face ao vagar com que o realizador vai tecendo as diversas histórias protagonizadas por Elizabeth (Norah Jones) por entre as luzes em reflexo, o brilho refractado pelos vidros das montras dos diners, pelas cores saturadas sobre carros, balcões e fichas ou cartas de poker, pelo derreter do gelado sobre a tarte de mirtilho. Também pela longa espera de um final anunciado.

Mas é, exactamente, esse amor de Wong Kar Wai pela cartilha do cinema americano, transformando-o no seu modo próprio de raras vezes nos dar o panorama ou o grande plano, privilegiando o plano tão próximo, desfocado ou abstracto, sobre objectos e rostos, que encanta. Encanta os belíssimos rostos de Norah Jones, Jude Law, Rachel Weisz, Natalie Portman ou David Strathairn, numa série de retratos quantas vezes ilustrados pelas canções de Norah Jones, Cat Power, Otis Redding, Julie London ou a fabulosa versão de “Harvest Moon” de Neil Young pela não menos fabulosa Cassandra Wilson, ou o Yumeji's Theme de Chikara Tsuzuki. Ou, então, os temas compostos pelo super mago Ry Cooder. (Muita atenção também ao guarda-roupa.)

Sim. O cinema também é feito desse encantamento que não se define, nem se limita por regras ou normas, nem pelo estranho poder de rever algo que já vimos muitas de vezes, entre o road movie, a nostalgia do deserto, a protecção de um diner aberto pela noite fora ou o vídeo-clip com um happy-end, terno e nostálgico.

Um Mundo hoje não presta para nada e eu estava mesmo a precisar de um filme assim.


jef, junho 2026

«My Blueberry Nights – O Sabor do Amor» de Wong Kar Wai. Com Norah Jones, Jude Law, Rachel Weisz, Natalie Portman, Chad R. Davis, Katya Blumenberg, John Malloy, Demetrius Butler. Frankie Faison, David Strathairn, Adriane Lenox, Benjamin Kanes, Cat Power, Michael Hartnett, Michael May, Jesse Garon, Sam Hill, Tracy Elizabeth Blackwell, Michael DeLano, Audrei Kairen, Bill Hollis. Argumento: Wong Kar-Wai e Lawrence Block. Produção: Wong Kar-Wai, Jacky Yee Wah Pang. Fotografia: Darius Khondji e Pun Leung Kwan. Música: Ry Cooder. Guarda-roupa: William Chang, Sharon Globerson. China / França / Hong Kong / EUA, 2007, Cores, 95 min.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Sobre o livro «Plantas da Bíblia, nos jardins de Belém - Lisboa», Afrontamento 2023. Edição de Maria Cristina Duarte, César Augusto Garcia, Arnaldo do Espírito Santo, Ana Luísa Soares.


 















«Mais do que um livro, é uma biblioteca: pode ser lida como cancioneiro, livro de viagens, memórias de corte, antologia de preces, cântico de amor, panfleto político, oráculo profético, correspondência epistolar, livro de imagens, texto messiânico. E colada a esta palavra humana… a revelação de Deus.»

Assim, escreveu José Tolentino de Mendonça em «A Leitura Infinita, Bíblia e Interpretação» (Assírio & Alvim, 2008). Na realidade, a Bíblia não tem um fim, pois não está estabelecido, para este livro, um modo de usar. Usemo-lo agora, pois, como compêndio botânico.

«A visita do Papa Francisco a Portugal, no âmbito da Jornada Mundial da Juventude 2023 (JMJ2023), e o cerne do pensamento do Seu pontificado – A fraternidade entre os povos e o pedido ecológico para que cuidemos da nossa casa comum – foram o motivo para este livro.»

Justifica assim José Sá Fernandes, no início, este livro.

Composto essencialmente por três capítulos fortes: (1) a geografia dos jardins em torno de Belém – Lisboa; (2) a simbologia histórica das plantas na diversidade de povos, culturas e crenças e (3) o conjunto de fichas sobre as diversas plantas bíblicas. Contém ainda um mapa de localização, para além dos necessários anexos finais com as “espécies referidas por jardim” e os índices de nomes comuns e latinos.

No final, dando ao símbolo uma semiologia ecuménica diz-se:

«As árvores são, em si mesmo, símbolos de vida, encerrando força e vigor, perenidade e regeneração, a ligação, para muitas crenças e religiões, entre o espírito e o material. (…) Assim, no âmbito da JMJ2023, pretendeu-se homenagear a árvore, e tudo o que representa, com a plantação no Jardim Botânico Tropical de diversas árvores-símbolo: a oliveira (Olea europaea), para o cristianismo e judaísmo, a tamareira (Phoenix dactylifera), para o islamismo, o pessegueiro (Prunus persica), para o taoismo, e a figueira-dos-pagodes (Ficus religiosa) e a figueira-de-bengala (Ficus benghalensis) para o budismo e o hinduísmo.»

Deste modo, confirma-se como, acima de tudo, o homem é o ser dos símbolos e sinais – a casa comum, a árvore da vida, os jardins do Paraíso e o Livro.

                    

jef, maio 2026

*botânica


quinta-feira, 28 de maio de 2026

Sobre o filme «A Palavra» de Carl Theodor Dreyer, 1955



 


















Uma questão de espiritualidade, mais do que de fé.

A complexa beleza do filme condensa-se no sorriso final de uma criança. Reconfortante. O epílogo na ingenuidade, cúmplice e puro, na crença absoluta. Certamente é esse o epílogo de todo o filme, é essa a marca que deixa silenciado o espectador. Ela é Maren (Ann Elisabeth Groth), a única que entende o verdadeiro significado da palavra, ou da ‘loucura’ religiosa do tio Johannes Borgen (Preben Lerdorff Rye) – devocão ou alienação, blasfémia ou amor incondicional.

Para deixar qualquer um em silêncio emocionado ou com um sorriso crítico, Dreyer entrega toda a história a cada um dos rostos das personagens. É ali mesmo que reside cada uma das verdades. Cada rosto tem a expressão indelével de uma alegoria, quase de uma fábula bíblica. Cada personagem contém a simbologia das várias ideias de espírito.

Dreyer filma praticamente tudo num palco apenas – a casa luminosa do velho Morten Borgen (Henrik Malberg), o proprietário rural rico, assim o acusa o humilde alfaiate Peter (Ejnar Federspiel), cuja casa lúgubre recebe a oração semanal da triste comunidade, mas também uma certa chamada telefónica que desencadeará o drama. Mesmo as cenas no exterior são tidas como palco ansioso e de procura constante entre as dunas, por onde desaparece Johannes deixando uma nota escrita (e perpassa um gato preto, ao longe, numa extraordinária e permanente minúcia descritiva!).

O som da quinta (Knud Kristensen) e a música (Poul Schierbeck) permanece como um pano de fundo, como a fazer lembrar que a vida dos homens, afinal é tão terrena quanto a daqueles animais, como daquela paisagem tolhida pelo vento e pelo desaparecimento.

Um filme de uma argúcia narrativa tal, de uma beleza cinematográfica tão sublime, que obriga ao silêncio reverente qualquer um, mesmo a um convicto ateu como eu (pois, claro, também tenho direito à minha própria espiritualidade, racional e emocional.)

‘Ordet’, jamais esquecerei a palavra.

 

jef, maio 2026

«A Palavra» (Ordet) de Carl Theodor Dreyer. Com Henrik Malberg (Morten Borgen), Emil Hass Christensen (Mikkel Borgen), Preben Lerdorff Rye (Johannes Borgen), Carl Kristianseh (Andre Borgen), Birgitte Federspiel (Inger Borgen), Ann Elisabeth Groth (Maren Borgen), Susanne (a pequena Inger Borgen), Ove Rud (o padre), Ejnar Federspiel (Peter, o alfaiate), Sylvia Eckhausen (Kirstine, a mulher do alfaiate), Gerda Nielsen (Anne, a filha do alfaiate), Henry Skjaer (o médico), Hanne Agesen (Karen), Edith Thrane (Mette Maren). Argumento: Carl Theodor Dreyer segundo a peça de teatro de Kaj Munk. Produção: Carl Theodor Dreyer,

Erik Nielsen, Tage Nielsen. Fotografia: Henning Bendtsen. Som: Knud Kristensen. Música: Poul Schierbeck. Direcção artística: Erik Aaes. Guarda-roupa: N. Sanat Jensen. Dinasmarca, 1955, P/B, 126 min.