terça-feira, 3 de novembro de 2026

Sobre o filme «Duas Estações, Dois Desconhecidos» de Sho Miyake, 1992



 

























Um filme muito curioso, disperso, desconexo, para olhar sem querer tudo compreender, para contemplar as paisagens de Verão, na praia, e as paisagens de Inverno, na neve, ao som das composições do músico japonês Hi'Spec. É por aí que devemos ser levados. Mesmo com bastante nostalgia das obras de Éric Rohmer («O Raio Verde»,1986) ou de Takeshi Kitano («Um Lugar à Beira-mar», 1991).

Sigamos pois a nostalgia do «não querer». A argumentista Li (Shim Eun-kyung) tenta escrever o próximo guião e vai contando em voz off a dificuldade de imaginar as cenas. Como é belo o lápis sobre as folhas pautadas do caderno e a escrita e a voz japonesas, em contraponto. Ela escreve a história de dois desconhecidos que se encontram, isolados, algures numa praia, Nagisa (Yumi Kawai) e Natsuo (Mansaku Takada). Tomam banho num mar aparentemente revolto.

A argumentista não consegue explicar bem os motivos para a escrita dos guiões, nem a razão do seu filme, frente a uma assembleia de estudante de cinema. Um velho e doente mestre morre e é-lhe oferecida uma máquina fotográfica que lhe pertencia. Em crise existencial e criativa, Li parte para o Inverno nas montanhas e alberga-se numa velha estalagem dirigida pelo ermita Benzo (Shin'ichi Tsutsumi). Tudo se passa entre o humor e o trágico, a beleza da imagem e o insólito da banda sonora, a explicação e o inexplicável, como talvez seja costume no universo manga de Yoshiharu Tsuge, de onde saiu a inspiração para o argumento. Como ainda talvez seja o motivo da atracção sentida pelo mundo espiritual e estético japonês, essa estranha espécie de solidão acompanhada, embora desértica. Relembrei o único livro lido de Hakuri Murakami «Kafka à Beira-Mar» (2002).

Uma certa abstracção perdida entre a estética e a narrativa.


jef, novembro 2026

«Duas Estações, Dois Desconhecidos» (Tabi to Hibi) de Sho Miyake. Com Eun-Kyung Shim, Yumi Kawai, Mansaku Takada, Shiro Sano, Shin'ichi Tsutsumi, Tomomitsu Adachi, Shinichirô Matsuura, Yôichirô Saitô Isogai, Ariei Umefune. Argumento: Sho Miyake segundo dois álbuns de manga de Yoshiharu Tsuge. Produção: Masayoshi Jônai, Kensuke Zushi. Fotografia: Yûta Tsukinaga. Montagem: Keiko Okawa. Som: Takamitsu Kawai. Música: Hi'Spec. Japão, 2025, Cores, 89 min.

domingo, 1 de novembro de 2026

Sobre o livro «Dinossauro Excelentíssimo» de José Cardoso Pires com ilustrações de João Abel Manta e arranjo de Sebastião Rodrigues, Publicações Europa-América, fevereiro de 1974 (6.ª edição). Escrito em Londres, entre o Natal de 1969 e março de 1971.



 























O próprio autor, em caracteres mais pequenos, vai dialogando com a Ritinha, explicando ao que vem, o que pretende nesta alegoria, nesta diversão, nesta anedota. Por fim, esclarece Ritinha e esclarece-nos e adverte-nos:

«…Ritinha, fiquemo-nos por aqui, que o conto vai longo e repetido. Fecha o livro. Arruma-o em qualquer parte e manda passear os fantasmas. Fartámo-nos de falar de mortos, de velhos, de mistérios, quando afinal temos tanto para viver. Não é?»

Fecha-se o livro e, realmente, sobressai o cheiro áspero e fétido de um mundo tão português que o país, hoje, não consegue despegar-se da pele e dos ossos desse Portugal velho, tenebrosamente arcaico e repressor das gentes e das palavras, religioso e obediente. Não é verdade que o velho e deformado Dinossaurus Um proíbe, aprisiona e devora sistematicamente palavra sobre palavra, descobrindo finalmente, horrorizado, que a abençoada palavra «ordem» contém dentro «medo» e «morde»? Não é verdade que ao fim de tantas décadas de democracia sempre se repetiu “quem se lixa é o mexilhão”? Que toda a política é liderada por cortesãos devotos, dê-erres deslumbrantes deslumbrados, por mexilhões obedientes, todos eles venerando o Mestre, o Imperador, o Ermitão encerrado na Torre das Sete Chaves, vindo de umas insuspeitas berças, fugindo com sua mãe e seu pai no dorso de um burrico destinado a enfrentar e dominar com inteligência o templo dos Doutores? Que nunca deixou de existir a falsa notícia do envelhecimento de Sua Excelência, o Sáurio, da sua morte, ficando todos, obnubilados, cumprindo ordens decrépitas, emanadas afinal pela máscara de uma estátua de bronze, a sempre jovem?

Este parece ser um livro dedicado a crianças velhas, velhos imaturos, a um pais que parece não sair da cepa torta, autoritariamente democrático, nostalgicamente rural, sempre com a saudade no dorso de um jurássico Sebastião.

Um livro terrível e divertido, escrito pela mão absolutamente de livre do mestre e desenhado pela demoníaca inspiração figurativa de outro mestre.

Como hoje nos fazem falta José Cardoso Pires e João Abel Manta!


jef, outubro 2026

  

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Sobre o livro «Um Homem Que Dorme» de Georges Perec, Antígona, 2026 (1967). Tradução de Luís Leitão.



 







Como um homem sem qualidades. Melhor, alguém que rejeita o mundo que o envolve (e o devolve) e se concentra na ideia de permanecer só ou no interior do próprio estado solitário. Qualquer coisa de Meursault de Albert Camus («O Estrangeiro» 1942), qualquer coisa de Gohar de Albert Cossery («Mendigos e Altivos» 1955), ou de «Bartleby» de Herman Melville (1853), de Zeno de Italo Svevo («A Consciência de Zeno» 1923), de Frank Friedmaier de Georges Simenon («A Neve Estava Suja» 1948).

Uma espécie de absurdo libertário, muito mais essencialista que existencialista. Alguém com 25 anos, afasta-se dos amigos, da universidade, da família, vive também perto ou longe do seu estreito quarto na Rue de Saint-Honoré, das horas contadas pelo campanário da igreja de Saint-Roch, da Place Clichy. O mundo corre lá fora, sem sucesso, sem pressa, demora ou entusiasmo. A mesma refeição diária, o mesmo jornal relido, o cigarro, a eterna paciência de cartas sobre a cama. O vizinho tosse e abre e fecha gavetas. Uma bacia de plástico cor-de-rosa com seis peúgas de molho. Por dentro, o sono invade a cabeça tomada pela almofada, os membros soltam-se, o corpo eleva-se imponderável. O mundo externo ou interno sobrevive na abstracção. Refúgio e desagregação na liberdade mais pura, mais simples.

«Que maravilhosa invenção é o homem! Pode soprar as mãos para as aquecer e soprar a sopa para a arrefecer. Se não ficar demasiado enojado, pode pegar delicadamente em qualquer besouro entre o polegar e o indicador. É capaz de cultivar plantas e extrair delas o seu alimento, a sua roupa, alguns medicamentos, e mesmo perfumes que ajudarão a disfarçar o seu odor desagradável. É capaz de bater os metais e fazer panelas (coisa que um macaco não conseguiria fazer). (…)

Só os idiotas continuam a falar, sem se rirem, do Homem, do Animal, do Caos.»

Ler o modernismo descritivo ou a narrativa naturalista de George Perec faz-nos conhecer a exacta consistência do solo que se comprime por baixo das solas dos nossos sapatos. Um apuro de escrita filosófica.

E que bela é a tradução de Luís Leitão.


jef, outubro 2026

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Sobre a peça «Imitação dos Pássaros» de Tiago Torres da Silva, Teatro Variedades, 2026



 

































Uma muito sincera e emocional homenagem a Anton Tchekhov, à «Gaivota», à anti-heroína Nina, mas também ao saudoso e emotivo Teatro da Graça e a algumas das apresentações desse clássico feitas em Portugal. Contudo, o amplo universo familiar, tenso e terno, do dramaturgo, aqui fica dissecado a bisturi, despido, escalpelizado. A família aparece como em gomos separados.

As gerações cruzam-se e apartam-se pela incompreensão e pelo silêncio, reencontram-se na memória, no remorso, no amor desperdiçado e revivido.

No palco, em três ou quatro cenas (ou planos, onde a projecção vídeo narra o que imaginamos e não assistimos) vão sendo tecidos os ressaltos e as fracturas, mas também a renovação que as mudanças políticas e sociais emitem sobre o correr do tempo dessas três gerações. Também o medo, a exigência, o sacrifício, a acusação e, no final, o perdão. E o amor inexoravelmente perdido.

O teatro como acto eternamente contemporâneo, talvez o primordial meio da consciencialização dos ditames e impulsos da humanidade. Certamente, a sua salvação.

Lídia Franco, belamente, é o cerne em torno do qual circula tal salvação, essa renovação, essa consciencialização. Uma peça de teatro para ela. Apenas me pareceu que tudo corria depressa demais, fazendo-me saltar emocionalmente entre estados sem apreender a tempo a génese de cada uma das acções. Mas talvez, por outro lado, seja essa a própria vantagem de «Imitação dos Pássaros».


jef, 22 de Outubro de 2026

«Imitação dos Pássaros» de Tiago Torres da Silva. Com Baltasar Marçal (Filipe), Lídia Franco (Avó/Mãe), Tiago Fernandes (Alberto). Encenação: Tiago Torres da Silva. Assistência de encenação: Baltasar Marçal. Cenário e figurinos: Hugo F. Matos. Vídeo e desenho de luz: Aurélio Vasques. Dramaturgia: Maria Helena Melim. Produção: Teatro Variedades Lisboa Cultura. Fotografias: José Quintela. 80 minutos.


 

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Sobre o filme «A Estrada do Tabaco» de John Ford, 1941



 

































Esta é uma enorme comédia realizada sobre a mais profunda das tragédias, vinda de um romance de Erskine Caldwell que deu origem a uma peça de teatro de Jack Kirkland, de enorme sucesso estreada em 1933, que também assina o argumento.

A história da família Lester, antigos produtores de tabaco e algodão na Geórgia, uma terra antigamente fértil e produtiva, agora caída em desgraça, abandono, penúria e isolamento, como logo indica o fantástico prólogo. É esta a história que iremos assistir, a história do pai Jeeter (Charley Grapewin) e da sua mulher Ada (Elizabeth Patterson) e da última filha por casar Ellie May (Gene Tierney), já que o filho Dude (William Tracy), amante de buzinas de automóvel, irá casar em breve casar com a devota e emotiva cantora de hinos luteranos Sister Bessie (Marjorie Rambeau). A filha Elli May será por fim oferecida ao já genro e choroso Lov (Ward Bond) – a quem Jeeter no início roubou um saco de nabos – mas cuja mulher, a outra filha, fugiu para a cidade por causa de maus tratos. Um banqueiro irá tomar por crédito as pobres terras, assim como o velho casebre, onde o casal vive à espera que o destino se cumpra, adiando a entrada no lar e o abandono de uma vida inteira. Entretanto, o velho Jeeter, ameaçando Deus pelo futuro que não chega, vende um pneu sobresselente do novo carro na nora Sister Bessie e resolve ir passar uma noite num hotel onde brinca e acende todos os candeeiros que encontra.

É assim esta alta tragédia mascarada de alta comédia, onde a luz e a fotografia exemplares de Arthur C. Miller fazem recair a densidade emocional de cada personagem, de cada enquadramento, assistindo a essa magnífica vocação de John Ford de enumerar os heróis e os anti-heróis de uma América tão enorme e bela quanto triste e desvalida.


jef, outubro 2026

«A Estrada do Tabaco» (Tobacco Road) de John Ford. Com Charley Grapewin (Jeeter Lester), Marjorie Rambeau (Sister Bessie), Gene Tierney (Ellie May), William Tracy (Dude Lester), Elizabeth Patterson (Ada Lester), Dana Andrews (Captain Tim), Slim Summerville (Peabody), Ward Bond (Lov), Grant Mitchell (George Payne) Zeffie Tilbury (Grandma), Russell Simpson (Chefe da Police), Spencer Charters (County Clerk), Irving Bacon (Bank Teller), Harry Tyler (Vendedor de automóveis) Charles Halton (Mayor), George Chandler (porteiro do hotel). Argumento: Nunnally Johnson, Jack Kirkland baseado na peça de teatro do próprio saída do romance de Erskine Caldwell. Produção: Darryl F. Zanuck. Fotografia: Arthur C. Miller. Música: David Buttolph. Guarda-roupa: Harry Kernell. EUA, 1941, P/B, 84 min.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Sobre os filmes «Eu vos saúdo, Maria» de Jean-Luc Godard, 1984, e «O Livro de Maria» de Anne-Marie Miéville, 1984.



 






















É um acto extremo e poético sobre a condição feminina perante a maternidade, o existencialismo mais puro e o desespero da solidão. Também é um acto simbólico sobre como olhar o cosmos, a natureza, corpo, a origem da vida e o acaso que lhe está subjacente. “Naquele Tempo”, sobretudo sobre o Tempo.

Um acto sobre a beleza e o passo dado em direcção à finitude. O professor cita-se Hölderlin enquanto Eva escuta: “Cada um vai e cada um chega ao lugar a que pode esperar chegar”, o último verso escrito, o último verso da Terra. Ouve-se Bach e Dvorak.

Depois disto, Maria, a basquetebolista, José, o taxista, só podem deixar partir Jesus. Ele regressará pela Páscoa ou pelas Trindades. Entretanto Gabriel, contrafeito, levanta a mão e diz-lhe: “Eu vos saúdo, Maria.”

Inicialmente, em «O Livro de Maria», a curta metragem de Anne-Marie Miéville, a pequena Maria vê-se acolhida alternadamente na casa da mãe e na casa do pai. E ela dança ao som de um disco de Malher. O pai ensina-lhe a diferença que existe entre os triângulos. A mãe toma banho com ela. Por fim, sozinha, e perante a original emergência do ovo, ela decide que o melhor é cozê-lo!


jef, outubro 2026

«Eu vos saúdo, Maria» (Je vous salue, Marie) de Jean-Luc Godard. Com Myriem Roussel (Maria), Thierry Rode (José), Philippe Lacoste (Anjo Gabriel), Manon Andersen (a Menina), Malachi Jara Kohan (Jesus), Juliette Binoche (Juliette), Dick (o cão), Georges Staquet, Anne Gautier (Eva), Johan Leysen, Gisele Musy, Serge Musy. Argumento: Jean-Luc Godard. Produção: Yves Peyrot, Alain Sarde. Fotografia: Jacques Firmann, Jean-Bernard Menoud. Montagem: Anne-Marie Miéville. Som: François Musy. Música: Johann Sebastian Bach, Antonin Dvorak. França, 1984, Cores, 72 min.

 «O Livro de Maria» (Le livre de Marie) de Anne-Marie Miéville. Com Bruno Cremer (o pai), Aurore Clément (a mãe), Rebecca Hampton (Maria) Copi (o viajante), Valentine Mercier (a Menina), Cléa Rédalier (a Menina). Argumento e Montagem: Anne-Marie Miéville. Produção: JLG Films, Pégase Films. Fotografia: Caroline Champetier, Jacques Firmann, Jean-Bernard Menoud. Som: François Musy. Música: Frédéric Chopin, Gustav Mahler. França, 1984. Cores, 27 min.

 

domingo, 18 de outubro de 2026

Sobre o filme «O Sétimo Continente» de Michael Haneke, 1989



 























É o primeiro filme de Michael Haneke para o cinema. E toda a sua arte já lá está – nua e crua! Sem contemplações nem artifícios. Quase sem música. Apenas um trecho de um concerto para violino de Alban Berg se ouve a sair de um radio de um carro a ser vendido, enquanto cá fora, a pequena Evi (Leni Tanzer) espera. A música é interrompida quando o carro é ligado. Nada mais.

Um filme sem rede nem apaziguamento.

Cada cena é directa, a imagem simples e definida (Anton Peschke), o som (Karl Schlifelner), igualmente. No início, a identidade dos rostos das personagens é ocultada. Cada cena, separada da seguinte por um slide negro que dura quase um segundo, coloca-nos frente, sem subterfúgios, perante uma família austríaca bem instalada na vida, com uma rotina detalhada entre o trabalho e as compras dos pais Georg (Dieter Berner) e Anna (Birgit Doll), e a escola de Evi. Nada mais. Apenas uma espécie de quadro extra-cena intermitente de uma praia da Austrália, o sétimo continente, para onde a família viajará e, finalmente. regressará.

No panorama de um neo-hiper-realismo, os peixinhos de Evi são ternamente alimentados, Georg sobe de posto na empresa, Anna trabalha como optometrista num oculista, eles cuidam atentamente do irmão e tio Alexander (Udo Samel) que sofre com a morte da mãe. Anna vai frequentemente ao médico pois também ela sofre emocionalmente. É ela que escreve regularmente aos sogros para ir relatando o seu quotidiano tranquilo.

O filme divide-se em três partes, por três anos: 1987, 1988 e 1989. Nada mais nos é relatado, contextualizado, amenizado, o espectador apenas fica de fronte a uma crescente angústia face a uma decisão irreversível, comemorada com as mais faustosas das refeições. Também ela por explicar, apenas detectada por sinais tardios e diferentes reflexos quotidianos que se agravam. O espectador não tem armas para se defender. A explicação final de que um caso semelhante ocorreu na realidade na Áustria ainda torna mais premente e explicita a violência de uma decisão consciente.

Por fim, a televisão é um único objecto em movimento, aproximando-se da objectiva, em chuva técnica, a preto e branco, como ela também morta, por entre a qual passam imagens de um passado que não poderá ser mais recordado.

É um filme brutalmente explícito, de uma inigualável genialidade narrativa, que vem demonstrar a fragilidade de uma sociedade burguesa que se reveste de falsas roupagens de abastança socio-económica e equilíbrio emocional. Um filme que inicia a Trilogia da Glaciação da qual fazem parte «71 Fragmentos de uma Cronologia do Acaso» (1994), «O Vídeo de Benny» (1992).

Um filme que não será para todos.


jef, outubro 2026

«O Sétimo Continente» (Der Siebente Kontinent) de Michael Haneke. Com Dieter Berner, Birgit Doll, Leni Tanzer, Udo Samel, Silvia Fenz, Robert Dietl, Elisabeth Rath, Georges Kern, Georg Friedrich. Argumento: Michael Haneke, Johanna Teicht. Produção: Veit Heiduschka. Fotografia: Anton Peschke. Montagem: Marie Homolkova. Som: Karl Schlifelner. Música: Alban Berg. Guarda-roupa: Anna Georgiades. Áustria, 1989, Cores, 109 min.