Este romance é sobre a lúgubre paisagem da luz. Poder-se-ia
até dizer: ‘Assim nasceu uma nação!’ não fosse um ultra-romântico lugar situado
na Long Island, a um passo de Nova Iorque, onde todos se encontram numa esplendorosa
e triste festa. Anos 20, ‘the jazz years’. Talvez se pudesse então chamar ‘Norte
contra Sul’ não fosse a história de um êxodo do Oeste para o faustoso Leste
americano, para um sonho atormentado e fatal.
Afinal, a história de um amor assolapado e funesto, vindo de
uma quase infância e interrompido para sempre pela Grande Guerra, a primeira. A
mobilização para França de Jay Gatsby, deixando para trás Daisy, arrebatada
entretanto por Tom Buchanan, impondo uma infatigável turbulência, quase
vingativa, daquele desejo por consumar. Pelo meio, o narrador, afiançado e
credor da amizade recente de Gatby, Nick Carraway, deve pedir auxilio à
superlativa estrela do golf, altiva e insolente, Jordan Baker, para que
interceda junto à sua amiga de infância, Daisy, afinal prima de Nick.
Mas o que surpreende e, julgo, dificultará em muito a sua
tradução (aqui bastante estranha e com uma revisão que deixa a desejar) é o
espirito poético que envolve cada paisagem, cada movimento, também cada silêncio.
É pelo lado poético que Fitzgerald inculca a permanente sombra depressiva e
ansiosa imposta, do início ao final, ao mistério de Jay Gatsby. É pela poesia
que o escritor derrota a paisagem de Nova Iorque, talvez ainda de uma América
tão real quanto fictícia, que ainda hoje se tenta reerguer do constantemente
bélico espirito de sobrevivência. O pesadelo Americano.
Um romance mais intenso e psicanalítico, mesmo mais político, do que a trama novelesca sugere ao leitor.
Sublinho, um romance poético.
jef, fevereiro 2026

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