sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Sobre o livro «O Grande Gatsby» de E. Scott Fitzgerald, Bertrand / Colecção 11x17 n.º164-001, 2023 (1924). Tradução de Sandra Esteves.



 








Este romance é sobre a lúgubre paisagem da luz. Poder-se-ia até dizer: ‘Assim nasceu uma nação!’ não fosse um ultra-romântico lugar situado na Long Island, a um passo de Nova Iorque, onde todos se encontram numa esplendorosa e triste festa. Anos 20, ‘the jazz years’. Talvez se pudesse então chamar ‘Norte contra Sul’ não fosse a história de um êxodo do Oeste para o faustoso Leste americano, para um sonho atormentado e fatal.

Afinal, a história de um amor assolapado e funesto, vindo de uma quase infância e interrompido para sempre pela Grande Guerra, a primeira. A mobilização para França de Jay Gatsby, deixando para trás Daisy, arrebatada entretanto por Tom Buchanan, impondo uma infatigável turbulência, quase vingativa, daquele desejo por consumar. Pelo meio, o narrador, afiançado e credor da amizade recente de Gatby, Nick Carraway, deve pedir auxilio à superlativa estrela do golf, altiva e insolente, Jordan Baker, para que interceda junto à sua amiga de infância, Daisy, afinal prima de Nick.

Mas o que surpreende e, julgo, dificultará em muito a sua tradução (aqui bastante estranha e com uma revisão que deixa a desejar) é o espirito poético que envolve cada paisagem, cada movimento, também cada silêncio. É pelo lado poético que Fitzgerald inculca a permanente sombra depressiva e ansiosa imposta, do início ao final, ao mistério de Jay Gatsby. É pela poesia que o escritor derrota a paisagem de Nova Iorque, talvez ainda de uma América tão real quanto fictícia, que ainda hoje se tenta reerguer do constantemente bélico espirito de sobrevivência. O pesadelo Americano.

Um romance mais intenso e psicanalítico, mesmo mais político, do que a trama novelesca sugere ao leitor. 

Sublinho, um romance poético.


jef, fevereiro 2026

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