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segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Sobre o espectáculo «A Teoria da Água». Largo do Chafariz – Lisboa, 2025.



 






































Quantas formas poderão estar contidas na água? Volume com forma que for sólida; volume sem forma, se for líquida; sem volume nem forma, se gasosa.

E o corpo humano, de quanta água será? E o seu movimento, a sua dança, o seu espírito, os seus ideais? Quanto deles se formam a partir da água?

Recuperemos o fôlego, activemos o espaço e o nosso tempo, comuns. Serenemos a agitação. Apesar de escassa, a água continuará em nós.


Obrigado, Carlos Romão.

As fotografias são de Renan Nascimento.


A Teoria da Água, oficina-instalação-performance.

Coreografia de Christina Elias @christina_elias_artist

Festival #Pedras “O Gesto que o Amor Potencia”

Largo do Chafariz – Rua de O Século, Lisboa, 18 de outubro de 2025. 22h00.

domingo, 21 de setembro de 2025

Sobre o espectáculo «Deixem o Pimba em Paz». Feira da Luz, 2025.








 






Ainda não tínhamos chegado à Feira da Luz e já se ouvia “24 Rosas” de José Malhoa, atrasados por causa de um magnífico bacalhau com natas, de magnífica companhia! Enfim, lá furámos, empurrámos (com delicadeza) e chegámos quase lá. Uma multidão exultante delirava com a música tão mal vista e tão acarinhada pelo Verão deste País. O Pimba. No meio do aroma fumarento da bifana e da fartura, os músicos tocavam e cantavam todos aqueles refrões que todos conhecemos e muitos torcem o nariz. Porém, ali, o grande Bruno Nogueira e a airosa Manuela Azevedo debatem-se em duelo de percussão secundados por Filipe Melo (teclas), Nuno Rafael (cordas) e Nelson Cascais (contrabaixo). E lá fomos recordando as cantigas de sempre, encantados com a extraordinária direcção musical dos ditos Filipe Melo e Nuno Rafael – “Na Minha Cama Com Ela”, “Não És Homem para Mim”, “Porque Não Tem Talo o Nabo”, “Azar na Praia”, “Comunhão de Bens”, “Niguém Ninguém”, “Garagem da Vizinha”, “Bichos da Fazenda”, “Sozinha”, “Som de Cristal”, “A Cabritinha”, “Telegrama”, “A Padaria” e “Pito Mau”. (Se faltar alguma ou alguma estiver em excesso é por eu ter tirado agora mesmo da net).

E assim, enfumarado pelos cheiros da feira, elevando o Pimba (que deixou de ser pimba para continuar a ser pimba), Bruno Nogueira diz-nos alto e bom som: “Encontramo-nos na Flotilha de Carnide!”

 

Ideia Original e Direcção Bruno Nogueira

Direcção Musical Filipe Melo e Nuno Rafael

Com Bruno Nogueira, Manuela Azevedo, Filipe Melo, Nuno Rafael e Nelson Cascais

Feira da Luz, 5 de Setembro de 2025

 






segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Sobre o 16º Auto de Natal «Ser Rei», promovido pela Irmandade da Misericórdia de São Roque, Dezembro 2019. Igreja de São Roque, Lisboa















Neste momento, dia 23 de Dezembro de 2019, pelas 15h00, na belíssima Igreja do Largo Trindade Coelho, está a ser representado o 16º Auto de Natal «Ser Rei», promovido pela Irmandade da Misericórdia de São Roque.

Este ano brincam eles aos reis, sublinha Ana Lázaro, a autora. O rei Herodes é déspota mas piegas. Os reis Magos são generosos e viajados. O rei Menino Jesus está aí a chegar e já provoca ciúmes, inveja, apreensão por concorrência régia.

Há reis para todos os géneros, mas aqui são todos bonzinhos, desde os mais pequeninos (do Parque Infantil de Santa Catarina) até aos mais velhos (do Centro de Dia do Alto do Pina), no coro, que cantam modas antiga, muito antigas, divinas, vindas de um velho Portugal, de um velho Cabo Verde. Eles cantam e comovem-nos. Dizem que ser rei é renascer para a consciência e para sermos bons. Um belo conceito moral e político. Quem nasce pode vir a mudar o mundo. Um milagre!

O Auto de Natal na Igreja de São Roque, todos os anos, a não perder. A ver entre amigos e com muita festa. Isto é o que teoricamente se chama Natal, quer seja cristão, pagão ou mesmo ateu.

Abraços de boas festas.

jef, dezembro 2019

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

«A Ceia de Natal» na Igreja de São Roque, em Lisboa















«A Ceia de Natal» é o título do 15º Auto de Natal organizado pela Irmandade da Misericórdia de São Roque. A belíssima Igreja no Largo Trindade Coelho acolhe-o. Acolhe-nos.

Avisam-nos ao início, sob um céu luminosos de pássaros coloridos que o tema é, precisamente, a casa cujo tecto é o firmamento e as paredes ausentes, o refúgio. A ceia é imaginada. Os nomes, passando a fronteira e mudando a língua, perdem a força e a identidade. Um mundo de refugiados sem refúgio. (O nosso velho Mundo actual!) Tal como São José e Nossa Senhora grávida em busca de estalagem, fugindo de Herodes.
(E o Gabriel Anjo corre atrás dos respectivos sapatos…)

Quem escreve é Ana Lázaro, quem representa as aves são as muitas idades, desde os passarinhos mais pequeninos (do Parque Infantil de Santa Catarina) até aos mais velhos (do Centro de Dia do Alto do Pina), no coro, no altar. Cantam, dançam, encantam-se e encantam-nos na consciência divertida da amizade e da solidariedade.
É mesmo muito comovente! E muito bonito!

Hoje à tarde, 17 de Dezembro de 2010, pela Igreja de São Roque em Lisboa, haverá nova récita!
Ainda vão a tempo!

(nota: ao longo do programa que contém a dramaturgia, podemos ir aprendendo a fazer passarinhos de papel!)


jef, dezembro 2018

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Um Auto de Natal






O Auto de Natal que a Igreja da Irmandade da Misericórdia e de São Roque de Lisboa leva a cena é um caso sério.

«Fio de Natal». Vai na 14ª edição. Tem música, bailado e encenação. É bom teatro feito por todos para todos. Traz miudinhos, miúdos, adolescentes, graúdos e mais do que graúdos, àquele palco-altar. É popular e sério. Muito antigo e tão perto. Diverte e comove.
É a história do nascimento de Jesus Cristo, pois então.

Ana Lázaro, a autora, escreve: «Contar uma história tantas vezes repetida não facilita a tarefa, pelo contrário. Implica uma responsabilidade que lhe é inerente: a de atribuir significado e significância a palavras que se disseminam entre a intemporalidade dos seus ecos. Fazê-lo no âmbito de um Projecto de tamanha conotação emocional, e sob a égide da Santa Casa, que promove valores de fraternidade num trabalho diário, incansável, e tecido por mãos e vozes tantas vezes anónimas, acresceu esse sentido de pesquisa e responsabilidade pessoal.»

Ouvir-se, pelo Natal, uma Estrela repetir bem alto,
«Todas as crianças são iguais, não importa a sua cor, raça, sexo ou religião. Todas as crianças têm o direito ao amor e à compreensão.
Todas as crianças têm direito à educação.»,
é obra!

Ainda vão a tempo. Hoje à tarde, 18 de Dezembro de 2017, pelo largo Trindade Coelho, numa das mais belas igrejas de Lisboa, haverá nova récita!
Quem nunca foi, verá como estou certo.

jef, dezembro 2017

terça-feira, 21 de março de 2017

Convite para uma festa no Chiado, dia 6 de Abril, pelas 18h30.











«É aí que o meu prédio habita. Tem logradouro com quintal ainda não transformado em garagem, com retenção e escoamento naturais de águas pluviais, para descanso do Arquitecto. Nespereira, limoeiro e um abacateiro a crescer desmesuradamente junto à empena tardoz chegando a tocar a roupa que se estende no primeiro andar. Canteiros com flores, agapantos e azáleas, que as sardinheiras já estão fora de moda. Um estendal para serventia do porteiro, o Simão, e a casota do Tareco. Todos perguntam as razões de (1) o prédio ter porteiro, relativamente novo, e não porteira, relativamente velha; e de (2) o canzarrão, dócil e sereno, ter nome de gato. Ninguém obteve as respostas pois são todos um pouco metidos com eles, por timidez ou por estatuto emprestado.»

João Eduardo Ferreira

in « Eu, por ti, me identifico» in «B.I. – Caderno de Identidade», By the Book 2017