quarta-feira, 18 de março de 2026

Sobre a peça «Hairspray» de Mark O’Donnell e Thomas Meehan (Texto), Marc Shaiman (Música) e Scott Wittman e Marc Shaiman (Letras). Teatro Variedades, 2026.

 

 































Fará assim muito sentido eu estar a assistir a um teatro musicado no Parque Mayer, em Lisboa, agora mesmo, no final do Inverno de 2026; a uma peça de teatro americano estreada na Broadway em 2002, peça quase infantil, sobre penteados ripados, laca e conjuntinhos de malha?

Recordar esse mundo citado e ancorado em Baltimore, Maryland, 1962, quando a televisão veiculava o sonho americano lixiviado para adolescentes brancos, num mundo musical pós-twist, quase pós-Elvis, em plena ascensão do black power americano, do rhythm and blues e da Motown, quando a América tentava impor-se com Napalm na Indochina e no Vietname.

Fará sentido levar à cena, agora, um espectáculo onde a mãe da estrela Tracy Turnblad, Edna, é interpretada por um actor (Diogo Almeida), e a própria Tracy (Emília Guimarães), que vence com estrondo o concurso televisivo no programa “The Corny Collins Show”, é uma rapariga de baixa estatura e bastante anafada, e o próprio pai, Wilburn (Rafael Pina), é um apaixonado baixote, quase metade da altura da sua mulher?

Não será estranho, eu ter-me apaixonado por um espectáculo dançado e musicado do principio ao fim, com uma direcção de actores e coreografia feliz, complexa e rigorosa, onde actuam os estagiários da equipa da produtora Àpriori (João Prior), integrando um dos momentos mais fulgurantes do mundo dramático em Lisboa, e em Portugal?

Não será por certo estranho, no mundo actual, a desmoronar-se à conta do espírito bélico de uns quantos doidos varridos que pretendem obter petróleo anexando países soberanos, eu ter-me emocionado, como uma criança a assistir ao antigo teatro para crianças (Teatro Gerifaldo?), vendo um espectáculo onde a consciencialização social e política, a amizade, o amor, a integração racial e o apelo contra a segregação, qualquer que ela seja, são os seus alegres e populares primados.

«Hairspray», hoje, faz todo o sentido.


jef, Teatro Variedades, 13 de Março de 2026

«Hairspray» de Mark O’Donnell e Thomas Meehan (texto), Marc Shaiman (música) e Scott Wittman e Marc Shaiman (letras). Encenação e produção executiva: João Prior. Tradução e adaptação: Inês Lima, João Prior e Marta Martins. Com: Ailèma Monteiro, Inês Maia, Soraia Morais (Dynamites) Alexandra Galhordas, Amália Santana (Motormouth Maybelle), Beatriz Alves (Tammy), Dennis Correia (Seaweed), Diogo Almeida (Edna), Diogo Pinto (Corny Collins), Emília Guimarães (Tracy), Fábio Teixeira, Guilherme Coutinho (Fender), Haba Barbosa, Inês Azevedo, Inês Lima (Penny), Inês Nunes (Shelley), Inês Reais, Inês Rocha (Lou Anne), João Monteiro, Kelly Oliveira, Leonardo Viana (Brad), Margarida Esteves (Brenda), Maria Prata (Amber), Matilde Lima, Naymara Cruz Pequena Inês), Rafael Pina (Wilbur), Raquel Carvalho (Prudy), Renata Arenga (Kooks), Rui Serrinha (Link), Simão Sousa (Sketch), Sofia de Castro (Velma), Zé Francisco. Coreografias: Leonardo Viana. Direção musical; Mari Ribeiro. Direção de atores: Marta Martins. Figurinos: Alexandra Galhordas, João Prior. Desenho de luz: Tiago Santos. Desenho de som: Margarida Pinto. Costura e criações: Tabita, Preciosa Verdilheiro. Cabelos: Pedro Ribeiro e Dennis Correia. Produção: Inês Lima, Inês Azevedo, João Monteiro, Marta Martins, Patrícia Rodrigues, Margarida Esteves. Fotografia e design de cartaz: Renato Arroyo. Teatro Variedades. Duração: 120 minutos.

 

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