Álbum
de estreia de Billie Eilish, 18 anos. Breve nota. Produzido por seu irmão
Finneas O’Connell, com excepção da faixa inicial “Bad Guy” em que lhe deu uma
mãozinha. Misturado por Rob Kinelski.
Salvo
a introdução que reproduz poucos segundos de alguma sessão de trabalho antes do
trabalho, uma espécie de carrossel de 13 canções de embalar para crianças
crescidas que vão sofrendo de amores, que precisam de palavras e sussurros,
carinhos e resoluções… Basta a distorção e o baixo fragmentado de «You Should
See Me in a Crown» para percebermos que a coisa não vai bem. O silêncio talvez
seja o melhor conselheiro. Porém, «Bad Guy», «All the Good Girls Go to Hell»,
«Wish You Were Gay», «When the Party’s Over», «Bury a Friend», «Listen Before I
Go» e «Goodbye» será simplesmente uma declaração de intenções que esconde uma
devoção doente:
“Wait
a minute, let me finish. I know you don´t care but can you listen?”
“You
are my strange addiction.”
“I
can´t escape the way I love you. I don´t want you
but
I love you.»
Álbum
estranhamente simples, muito trabalhado sem o dar a parecer, onde o silêncio
apenas arrasa com precisão o ruído mocional. Como se o eco de Danny Elfman
produzisse nova banda sonora para uma turma de adultos infantis. Há uma
maturidade melódica que torna os seus 18 anos em algum tempo fora de um tempo sem
forma de esperança.
Vieram à memória as canções sem cancioneiro, as vozes sem dono de Karen Mantler, Anja
Garbarek ou Fiona Apple. Um disco que pertence a esse estranho swing que faz
desconstruir a serenidade e assustar a poeira dos recantos obscuros da estante.
jef,
novembro 2026

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