terça-feira, 3 de novembro de 2026

Sobre o disco «When We All Fall Asleep, Where Do We Go?» de Billie Eilish, Darkroom and Interscope Records, 2019



 




Álbum de estreia de Billie Eilish, 18 anos. Breve nota. Produzido por seu irmão Finneas O’Connell, com excepção da faixa inicial “Bad Guy” em que lhe deu uma mãozinha. Misturado por Rob Kinelski.

Salvo a introdução que reproduz poucos segundos de alguma sessão de trabalho antes do trabalho, uma espécie de carrossel de 13 canções de embalar para crianças crescidas que vão sofrendo de amores, que precisam de palavras e sussurros, carinhos e resoluções… Basta a distorção e o baixo fragmentado de «You Should See Me in a Crown» para percebermos que a coisa não vai bem. O silêncio talvez seja o melhor conselheiro. Porém, «Bad Guy», «All the Good Girls Go to Hell», «Wish You Were Gay», «When the Party’s Over», «Bury a Friend», «Listen Before I Go» e «Goodbye» será simplesmente uma declaração de intenções que esconde uma devoção doente:

“Wait a minute, let me finish. I know you don´t care but can you listen?”

“You are my strange addiction.”

“I can´t escape the way I love you. I don´t want you

but I love you.»

Álbum estranhamente simples, muito trabalhado sem o dar a parecer, onde o silêncio apenas arrasa com precisão o ruído mocional. Como se o eco de Danny Elfman produzisse nova banda sonora para uma turma de adultos infantis. Há uma maturidade melódica que torna os seus 18 anos em algum tempo fora de um tempo sem forma de esperança.

Vieram à memória as canções sem cancioneiro, as vozes sem dono de Karen Mantler, Anja Garbarek ou Fiona Apple. Um disco que pertence a esse estranho swing que faz desconstruir a serenidade e assustar a poeira dos recantos obscuros da estante.

jef, novembro 2026


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