Este
é um dos meus filmes de infância, quando a RTP passava as loucas comédias de
Howard Hawks nas tardes de cinema de domingo. Ria-me muito com tamanha
macacada, apreciava a loucura infantil, praticamente sem nexo daquelas figuras,
que eram tomadas por chimpanzés. quando, inadvertidamente, bebiam o elixir da
“eterna” juventude criado pela macaca Esther, vertido depois dentro do depósito de
água do bebedouro do laboratório. O suposto elixir "B-For"!
Delirava
com todas as extravagantes peripécias cómicas mas não me apercebia de quanto
machista, quase misógino, era a personagem de Dr. Barnaby Fulton (Cary Grant),
pitósga, distraído e obcecado pelo trabalho de cientista químico, que nem
reparava na belíssima figura da sua devota esposa Edwina (Ginger Rogers) que o
instiga a ir a uma festa, desistindo depois com um sorriso, irrompendo a meio dos ovos mexidos
preparados à pressa, o proto-pretendente de Edwina, Harvey Entwhistle (Hugh
Marlowe). Também o bom do Barnaby não repara na super meia-de-vidro, com produto por ele criado, que cobre a
perna de Lois, uma soberba Marilyn Monroe, secretária do patrão Mr. Oxley
(Charles Coburn) que tanto fica encantada com a aparição metamórfica da
adolescência de Barnaby, enfiado num fato de fantasia, conduzindo à desfilada
um carro desportivo ou atirando-se da prancha em chapão para dentro da piscina.
Tudo
neste filme não fará sentido lógico, a fantasia cénica é apenas uma diversão
assumidamente teatral como é explicitada, logo no início da ficha técnica, quando
a voz off do realizador surge para fazer repetir a Barnaby a cena da porta mas tratando-o
directamente por “Cary”. Ou no escalpe índio do agora mal tratado Harvey
Entwhistle. Ou quando Barnaby parece ter bebido tanta poção mágica que surge
nos braços da chorosa esposa como um bebé. Ou quando, tomados todos pela sede
bebendo daquela água mágica, um pouco amarga demais, brincam todos como
crianças ou macacos endiabrados nas instalações do laboratório.
É
impossível não esquecer «As Duas Feras» (Bringing Up Baby), 1938, e também não
comparar Cary Grant no papel de outro cientista, agora paleontólogo, a braços
com a maravilhosamente endiabrada Katharine Hepburn!
Maiores
são as comédias de Howard Hawks!
jef,
maio 2026
«A
Culpa Foi do Macaco» (Monkey Business) de Howard Hawks. Com Cary Grant (Dr.
Barnaby Fulton), Ginger Rogers (Edwina), Charles Coburn (Mr. Oxley), Marilyn
Monroe (Lois Laurel), Hugh Marlowe (Harvey Entwhistle), Henri Letondal
(Siegfried Kitzel), Robert Cornthwaite (Dr. Zoldeck), Larry Keating (Mr.
Culverly), Douglas Spencer (Dr. Brunner), Esther Dale (Mrs. Rhinelander). Argumento: Ben Hecht, I.A.L. Diamond e Charles Lederer
e (não creditado) Howard Hawks, a partir dum conto de Harry Segall. Produção: Sol
C. Siegel para a 20th Century Fox. Fotografia: Milton Krasne. Música: Leigh
Harline. Guarda-roupa: Charles Le Maire e Travilia. EUA, 1952, P/B,
91 min.





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