sexta-feira, 29 de maio de 2026

Sobre o livro «Plantas da Bíblia, nos jardins de Belém - Lisboa», Afrontamento2023. Edição de Maria Cristina Duarte, César Augusto Garcia, Arnaldo do Espírito Santo, Ana Luísa Soares.


 















«Mais do que um livro, é uma biblioteca: pode ser lida como cancioneiro, livro de viagens, memórias de corte, antologia de preces, cântico de amor, panfleto político, oráculo profético, correspondência epistolar, livro de imagens, texto messiânico. E colada a esta palavra humana… a revelação de Deus.»

Assim, escreveu José Tolentino de Mendonça em «A Leitura Infinita, Bíblia e Interpretação» (Assírio & Alvim, 2008). Na realidade, a Bíblia não tem um fim, pois não está estabelecido, para este livro, um modo de usar. Usemo-lo agora, pois, como compêndio botânico.

«A visita do Papa Francisco a Portugal, no âmbito da Jornada Mundial da Juventude 2023 (JMJ2023), e o cerne do pensamento do Seu pontificado – A fraternidade entre os povos e o pedido ecológico para que cuidemos da nossa casa comum – foram o motivo para este livro.»

Justifica assim José Sá Fernandes, no início, este livro.

Composto essencialmente por três capítulos fortes: (1) a geografia dos jardins em torno de Belém – Lisboa; (2) a simbologia histórica das plantas na diversidade de povos, culturas e crenças e (3) o conjunto de fichas sobre as diversas plantas bíblicas. Contém ainda um mapa de localização, para além dos necessários anexos finais com as “espécies referidas por jardim” e os índices de nomes comuns e latinos.

No final, dando ao símbolo uma semiologia ecuménica diz-se:

«As árvores são, em si mesmo, símbolos de vida, encerrando força e vigor, perenidade e regeneração, a ligação, para muitas crenças e religiões, entre o espírito e o material. (…) Assim, no âmbito da JMJ2023, pretendeu-se homenagear a árvore, e tudo o que representa, com a plantação no Jardim Botânico Tropical de diversas árvores-símbolo: a oliveira (Olea europaea), para o cristianismo e judaísmo, a tamareira (Phoenix dactylifera), para o islamismo, o pessegueiro (Prunus persica), para o taoismo, e a figueira-dos-pagodes (Ficus religiosa) e a figueira-de-bengala (Ficus benghalensis) para o budismo e o hinduísmo.»

Deste modo, confirma-se como, acima de tudo, o homem é o ser dos símbolos e sinais – a casa comum, a árvore da vida, os jardins do Paraíso e o Livro.

                    

jef, maio 2026

*botânica


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