Christophe
Honoré deseja sair da comédia dramática, mais ou menos cançonetista, e
construir um épico sobre o amor homossexual, franco, e liberto, alegre, mas pintado
pelas sombras negras do VIH e da Sida. França, Verão de 1990. Jacques (Pierre Deldonchamps) e Arthur (Vincent Lacoste) encontram-se e amam-se.
Vivem separados pela geografia, entre Rennes e Paris. Estão unidos pela
diferença das suas idades, pela descrença de um e pela expectativa do mais novo,
pelo acto do cigarro aceso, pelo futuro que, já se sabe, é rápido, incerto mas
contém lá dentro o momento presente que tem de ser vivido.
Contudo, muito longe vai o
tempo do belo «Em Paris» (2006), com o brusco e fraterno encontro
dos actores Romain Duris e Louis Garrel. E muito perto está o sintomático e
cardíaco «120 Batimentos Por Minuto» (Robin Campillo, 2017).
Parece que Christophe Honoré, de tanto querer entrar no drama sincopado e
diacrónico, a la nouvelle vague, em
truncagens de tempo e de espaço, com tantas colagens de situações vividas e
citações epigráficas, deixa os actores órfãos, soltos num vácuo emocional (e tanto que
eles se esforçam), assim como os espectadores que compreendem as
situações como fundamentais mas são delas afastados emocionalmente, inundados de referências literárias e as blagues do quotidiano irónico que tentam intensificar o
climax e alicerçar a estratégia narrativa.
E não é por Arthur, consciente
da efémera voluptuosidade da juventude, acariciar a real lápide funerária contendo a
memória presente e futura de François Truffaut, que o filme se cobre do pathos emocional e leva o espectador a aderir
a uma história que teria tudo para comover e elucidar sobre essa época de amor e
desespero. «Jules e Jim» (1962) já fez tanto pela infinidade do presente, por
essa amizade amorosa centrada no futuro que termina, que jamais poderá ser
esquecido!
Que
voltem as comédias singelas e as tragédias cantadas de Christophe Honoré.
«Agradar, Amar e Correr Depressa» (Plaire, aimer et courir vite) de
Christophe Honoré. Com Vincent
Lacoste, Pierre Deldonchamps, Denis Podalydès, Adèle Wismes, Quentin Thebault, Clément Métayer, Tristan Farge. 2018, Cores, França, 132
min.
Sem comentários:
Enviar um comentário