terça-feira, 22 de setembro de 2026

Sobre o filme «71 Fragmentos de uma Cronologia do Acaso» de Michael Haneke, 1994



























Nada a esconder. São realmente 71 fragmentos na vida de uma cidade que vive os últimos meses de 1988: Viena. Cruzando as várias histórias, ouvimos as notícias televisivas sobre Sarajevo, o Líbano, sobre Israel e o Hezbollah, também sobre Michael Jackson. As diversas famílias ou o que delas resta, as suas histórias em flashback, vão-se sobrepondo em planos rápidos inconclusivos ou lentos, sem fim. Não nos é permitido deixar de olhar. A resposta está no início com a notícia de um massacre numa dependência bancária levado a cabo por um estudante que em seguida se suicida com uma bala na cabeça. De resto, Nada a Esconder.

Michael Haneke não consegue suavizar a violência que se abate sobre cada indivíduo. A violência como catarse, como móbil ou expiação. Sem música orquestrada, apenas o som do desespero, da expectativa sem fim mas com agonia. Tendo a sociedade por algoz.

Michael Haneke é o artífice do argumento para o medo, abstracto e silencioso, onde a angústia sem redenção subjuga. 

Este filme, faz-me recordar «Código Desconhecido» (2000), passado em Paris. A eterna suspeita, o eterno silêncio, o eterno desconhecido que nos ataca. 

Ninguém descreve o horror e a solidão do pânico como o autor austríaco.

Os filmes de Michael Haneke metem-me medo da realidade mas, quando se compravam DVD, eu coleccionava-lhe os filmes.

«71 Fragmentos de uma Cronologia do Acaso» é perfeito como uma “master class M. H." para a qual entrámos como intrusos, sequer fomos convidados!


jef, setembro 2026

«71 Fragmentos de uma Cronologia do Acaso» (71 Fragmente einer Chronologie des Zufalls) de Michael Haneke. Com Gabriel Cosmin Urdes, Lukas Miko, Otto Grünmandl, Anne Bennent, Udo Samel, Branko Samarovski, Claudia Martini, Georg Friedrich, Alexander Pschill, Klaus Händl, Corina Eder, Dorothee Hartinger, Patricia Hirschbichler, Barbara Nothegger, Gudrun Gutt, Michael Jackson. Argumento: Michael Haneke. Produção: Veit Heiduschka, Willi Segler. Fotografia: Christian Berger. Montagem: Marie Homolkova. Som: Marc Parisotto. Guarda-roupa: Erika Navas. Áustria, 1994, Cores, 100 min.

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