Não
se pode exigir-lhe muito. É um presente para Carmen Maura, uma espécie de
homenagem definitiva à actriz, talvez um pouco cerimoniosa demais, talvez com
truques narrativos para que Carmen Maura se desdobre nos diversos capítulos da
persona a que se entregou, Maria Angeles Muñoz.
Também
uma homenagem à salutar convivência histórica entre povos, culturas e religiões
na cidade de Tânger. Contudo, a trágica e talvez bastante forçada situação
imposta pela filha Clara (Marta Etura) a Maria Angeles, e todas as reviravoltas
que esta tem de dar para manter a independência na sua casa e na sua cidade
natal não salvam a interessante cena final, na qual ficamos por saber o
desfecho da história.
Um
filme bonito que tem o condão de nos apresentar um actor maior Ahmed Boulane,
no papel de um desconfiado e depois muito solícito Abslam.
Um
filme que explora mais a bela cenografia e, mais uma vez, um guarda-roupa muito
especial, mas perdendo a verosimilhança narrativa que toda a fantasia deve ter
mesmo que se apresente longe da realidade.
Um
filme que deixa bastantes saudades de um outro da realizadora, o renascentista «O
Azul do Cafetã» (2022).
jef,
setembro 2026
«Calle
Málaga» de Maryam Touzani. Com Carmen Maura, Marta Etura, Ahmed Boulane, María
Alfonsa Rosso, La Imèn, Abdelilah Iramdane, Ghali Errazqi, Miguel Garcés, Tarik
Rmili, Mohamed Naimane, Sanae Regragui, Fouad Mnebhi, Moustapha Haouchine,
Laila Hotait Salas, Mohammed El Aouni, Yassine Akel, Jaafar Brigui, Youssef
Imrani, Nazha Tahiri, Tarik Gharbaoui. Argumento:
Maryam
Touzani, Nabil Ayouch. Produção: Nabil Ayouch, Amine Benjelloun, Jean-Remi
Ducourtioux. Fotografia: Virginie Surdej. Música: Freya Arde. Guarda-roupa: Hanane
Bouhouch. Marrocos / França / Espanha / Alemanha / Bélgica, 2025, Cores, 116 min.

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