quinta-feira, 25 de julho de 2019

Sobre o filme «Quem Tramou Roger Rabbit?» de Robert Zemeckis, 1988


































Sempre tive um afecto muito grande por este filme. De tempos a tempos, revejo-o e fico a pensar no que mais gosto nele.
Sou fã de Bob Hoskins (1942-2014), um daqueles actores muito sérios e convictos que fazem as melhores comédias nunca enjeitando a norma de que o melhor papel secundário faz o melhor filme e ofusca, por norma, o trabalho do actor principal. Tal como Gene Hackman. Neste caso, Bob Hoskins é o centro de uma comédia, digamos musical e ‘animada’, que sempre me recorda o deslumbramento infantil que senti quando vi «Mary Poppins» (Robert Stevenson, 1964).
Um papel extraordinariamente difícil, realizado contra cenários de papel e ausência, de um detective, Eddie Vailant, encalhado na Hollywood furiosa de 1947, entre o álcool e a memória de seu irmão, Teddy Vailant, detective também ele, morto às mãos de uma criatura de olhos vermelhos e voz aguda.
Eddie Vailant deve descobrir se a sensual Jessica Rabbit (Kathleen Turner, Betsy Brantley) está mesmo a trair o esposo apaixonado Roger Rabbit (Charles Fleischer) com o dono da Cidade dos Cartoons, Marvin Acme (Stubby Kaye). Contudo, logo depois, as mortes sucedem-se e o misterioso Juiz Doom (Christopher Lloyd), com as suas demoníacas doninhas, aproxima-se munido da verde e terrível poção de acetona para punir e diluir os desenhos criminosos…

Mas talvez o que mais me entusiasme é essa aparição de Jessica Rabbit a cantar «Why Don’t You Do Right» (com a impressionante voz de Amy Irving) perante a inveja devota ou o ciúme reverente da maravilhosa Betty Boop (Mae Questel)… ou então o duelo de pianos (com a Rapsódia Húngara #2 de Franz Liszt) entre o Pato Donald (Tony Anselmo) e o Daffy Duck (Mel Blanc)… ou a curta metragem inicial que opõe Roger Rabbit e o Baby Herman (Lou Hirsch)…

Não sei bem classificar essa centelha de emotiva reconciliação entre a latente agressividade dos bonecos da Warner e a aura delicodoce dos da Walt Disney. Gosto de entrar na Cidade dos Cartoons e pensar que aquela fantasia tola contém a realidade que me sustém durante os instantes em que a estou a ver e se prolonga, memória dentro, até nova exibição.

jef, julho 2019

«Quem Tramou Roger Rabbit?» (Who Framed Roger Rabbit) de Robert Zemeckis, 1988. Com Charles Fleischer (Roger Rabbit), Kathleen Turner, Betsy Brantley (Jessica Rabbit), Christopher Lloyd (Juiz Doom), Lou Hirsch (Baby Herman), Bob Hoskins (Eddie Valiant), Alan Tilvern (R.K. Maroon), Stubby Kaye (Marvin Acme), Richard LeParmentier (Lt. Santino), Tony Anselmo (Pato Donald), Mel Blanc (Daffy Duck), Mae Questel (Betty Boop). Produção: Robert Watts e Frank Marshall / Walt Disney Animation Studios, Touchstone Pictures, Amblin Entertainment, Silver Screen Partners. Música: Alan Silvestri. EUA, 1988, Cores, 100 min.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Sobre o filme «O Bruto» de Luis Buñuel, 1953

















O que poderia ser um filme político (e é) sobre a ganância do velho, rico e insensível, D. Andrés (Andrés Soler), proprietário de uma ‘vila’ onde vivem paupérrimas famílias de operários, e que ele deseja expulsar à viva força policial, ainda sobre a oposição colectiva dos moradores, liderada pelo operário Carmelo (Roberto Meyer), afinal transforma-se num melodrama pungente, carnal e sanguinário, sobre a paixão de Pedro ‘El Bruto’ (Pedro Armendáriz) – o algoz carniceiro contratado por D. Andrés para expulsar os moradores – por Meche (Rosita Arenas), filha de Carmelo que entretanto morreu à conta dos maltratos infringidos pelo próprio El Bruto. Pelo meio, está Paloma (Katy Jurado), a jovem e fogosa esposa do patrão e proprietário, apaixonada pela força viril de El Bruto, mas que, pela violência do ciúme, o denunciará à polícia.

Tudo, na realidade, poderia ser um mero melodrama de faca e alguidar, série B, terceira categoria, não fosse um filme de Luis Buñuel. Filmado no tempo recorde de 18 dias.
Não tivesse a magnífica luz fotográfica de Agustín Jiménez.
Não tivesse a simbologia carnal do mestre, quando Paloma, após coser um botão na camisa de El Bruto para que ele não mostrasse a desejada força, o morde no peito; e, depois, El Bruto pede para a infantil Meche lhe retire uma arma da omoplata espetada ali pelos seus perseguidores (como a um touro).
Não estivessem lá os eternos ícones dos animais. Escondido no quintal de Meche, El Bruto estrangula uma galinha para que o cacarejar não o denunciasse e, dias depois, ela descobre em casa uma caixa onde, bucolicamente, uma gorda galinha pastoreia meia dúzia de pintainhos. No acto final, um galo negro, sinal de morte, olha nos olhos de Paloma após esta ter consumado a denúncia e assistido à morte pela polícia do seu apaixonado.
Não contivesse esse furor humorístico concedido a D. Pepe (Paco Martinez), o acamado pai velho do velho D. Andrés, que ainda vai roubar rebuçados após a morte do seu filho.
Não nos levasse por uma agitada teia de palavras, imagens e cenários, que nos prende de imediato, não nos deixa respirar, lembrando a rapidez cénica de certas sequências dos filmes de Jean Renoir.

«O Bruto» é uma grande ópera, expressionista e romântica mas de que o próprio Luis Buñuel não gostava.

jef, julho 2019

«O Bruto» (El Bruto) de Luis Buñuel. Com Pedro Armendáriz, Katy Jurado, Rosita Arenas, Andrés Soler, Paco Martinez, Roberto Meyer, Glorita Mestre, Beatriz Ramos, Paz Villegas, José Muñoz, Diana Ochoa, Ignacio Villalbazo, Jaime Fernández. Argumento: Luis Buñuel, e Luis Alcoriza. Fotografia: Agustín Jiménez; Música: Raul Lavista. Produtor: Sergio Kogan. 1953, México, P/B, 81 min.


terça-feira, 23 de julho de 2019

Sobre o filme «As Aventuras de Robinson Crusoe» de Luis Buñuel, 1953


















O mais divertido deste filme, de sumptuosas cores e cenários minuciosos, é o facto de Luis Buñuel, não desvirtuando o romance de aventuras de Daniel Dafoë, conseguir colocar lá dentro todo o seu modo intuitivamente psicanalítico de fazer cinema. Robinson Crusoe (Dan O’Herlihy) é um homem que passa a maior parte dos 30 anos, 2 meses e 19 dias (o que é que isto me está agora a fazer lembrar…) sozinho – e nós com ele –, aprendendo a fazer tudo aquilo que não sabia (ou se recusava) a fazer. Para além, da caça e da recolecção, a maioria tarefas femininas. Desejando ouvir a voz humana (que o papagaio grita) mas que o fiel cão, o amoroso gato e todos os outros milhentos animais não reproduzem mas que ele acarinha. Afugentando os pesadelos recalcados de um pai que o castiga por imprudência e desobediência. Reouvindo-se no eco do vale com as palavras bíblicas gritadas a um Deus magnânimo mas castigador, numa das cenas mais fortes do filme. Estranhando o espantalho de vestes femininas que adejam ao vento como se o chamassem (ou o repudiassem). Percorrendo as praias de um 'México' luxuriante de sombrinha de sol, barretinho de pele e vestes únicas. Um quase palhaço, louco e benévolo.

Até que, já quase no final, chega um Sexta-feira (Jaime Fernández) airoso e belo, divertido, gentil e submisso, que uma vez até se veste com os velhos vestidos femininos e usa um colar de moedas de ouro. Sexta-feira é inteligente, deixa logo o canibalismo, está pronto a partilhar todas as tarefas com o seu amo e chega a fazer uma prelecção sobre a frágil omnipotência divina face às tentações do diabo. Como era de prever, Sexta-feira torna-se muito amigo de Robinson Crusoe e este nem se dispensa de o deixar fumar o seu cachimbo.

Por fim, chegada a hora de regressar a Inglaterra, Robinson Crusoe pergunta a Sexta-feira se, verificando que os costumes sangrentos da Europa não são moralmente diversos dos da sua tribo canibal, ainda deseja partir com ele. E lá seguem os dois de viagem…

Buñuel é o cineasta que melhor traduz a diversão explícita, o humor implícito e a sexualidade latente, através da sugestão, da parábola e da metáfora.

jef, julho 2019

«As Aventuras de Robinson Crusoe» (The Adventures of Robinson Crusoe) de Luis Buñuel. Com Dan O’Herlihy, Jaime Fernández, Felipe de Alba, José Chávez, Emilio Garibay, Chel López. Argumento de Hugo Butler (Philip Roll) e Luis Buñuel sobre a obra de Daniel Dafoë, Fotografia: Alex Phillips (eastmancolor), Música: Anthony Collins e Luis Hernández Bretón, Décors: Edward Fitzgerald e Pablo Gálvan.1953, México / EUA, Cores, 89 min.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Sobre o filme «Ele» de Luis Buñuel, 1953

















No fim da missa, Quinta-feira Santa, o padre lava, limpa e beija demoradamente os pés a vários rapazes. A cena é lenta e o acto parece impregnado de humildade litúrgica. Depois a câmara roda e toca os pés, quase envergonhados, de uma bela e jovem devota. Então, a perspectiva altera-se e tudo, afinal, está a ser visto pelo olhar libidinoso de Francisco Gálvan (Arturo de Córdova), acólito da igreja, homem rico e respeitado, solitário, 45 anos. Os pés são os de Gloria (Delia Garcés), vinte anos mais nova mas noiva de Raul. Porém, Francisco está loucamente apaixonado, pela primeira vez na vida, e está habituado a conseguir tudo. O casamento é realizado mas na noite de núpcias Glória percebe quem é Francisco e a paranóia a que os ciúmes o podem levar.

Poder-se-ia dizer que estamos perante as intrigas de Alfred Hitchcock («A Casa Encantada» 1945, «Difamação» 1946, «A Mulher que Viveu duas Vezes» 1958, «Psico» 1960) tendo em conta a rapidez da trama envolvendo a insegurança das vítimas e o poder dos algozes sobre elas, o suspense, a ansiedade, o medo. Mesmo a música de Luis Hernández Breton com muito de Bernard Herrmann, mesmo os cenários sumptuosos, as escadarias tortuosas, as sombras inquietantes… Mas o filme é de Luis Buñuel, o mestre que não resiste em colocar nuvens obscuras de poeira a sair de quartos de arrumos; agulhas que atravessam buracos de fechadura; sinos fálicos que obrigam a confissões e ao desespero da queda; cordas e linhas que são preparadas sadicamente para sodomizar a vítima; pancadas obsessivas no corrimão da escada; um criado que se insinua muito mais do que um criado apenas…

Buñuel também não teme em seguir, mais uma vez, a sua intuição, explicando pela fantasia inconclusiva a realidade que quantas vezes não assenta numa solução lógica.

Uma obra-prima que termina, ziguezagueando, condensando num só todos os possíveis finais.

jef, julho 2019

«Ele» (Él) de Luis Buñuel. Com Arturo de Córdova, Delia Garcés, Luis Beristáin, Aurore Walker, Manuel Dondé, Carlos Martinez Baena, Fernando Casanova, Rafael Banquells. 1953, México, P/B, 92 min. Argumento: Luis Buñuel, e Luis Alcoriza sobre a novela de Mercedes Pinto. Fotografia: Gabriel Figueiroa; Música: Luis Hernández Breton.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Sobre o livro «O Que Eu Ouvi na Barrica das Maçãs» de Mário de Carvalho, Porto Editora, 2019














Este livro de Mário de Carvalho está, para mim, leitor que gosta de agrupar temas, entre dois dos livros do autor que os meus coração e atenção guardam entre os relidos: «Quem Disser o Contrário É Porque Tem Razão» (2014) e «A Liberdade de Pátio» (2013). E não será por acaso. O terceiro capítulo «Oficiando» completa e sublinha, entre a paródia séria e advertência literária, muito do que o livro de 2014 já tinha feito pela leitura, que se deseja cada vez mais atenta, e a escrita, cada vez mais concisa e consciente. Os restantes três, sobre uma possível ficção, uma provável intervenção, uma inevitável e justíssima memória, fazem-me lembrar os textos curtos, quase fábulas, com homens, bichos, palavras e aventura, que integram o melhor da literatura ‘curta’ portuguesa.

Chamaria a estes últimos ‘contos’, retirar-lhes-ia a data e a vocação efémera de ‘actualidade’ que o jornalismo impõe a estes textos de perspectiva multi-semanal. Afastaria ainda a índole pessoal que a persona do escritor deve impor enquanto cronista, ajustaria o ‘abstracto temporal’ da publicação em livro e atirar-me-ia à leitura sem olhar para o relógio. Assim fiz.

Pois estes textos induzem à pausa para reflectir porque nos reflectem, à busca em dicionários para buscar significados, aos mais rápidos priberans e googles na pesquisa de referências e origens. Porque nos colocam no centro das questões primeiras: por que ler? Por que escrever? Por que estar por aqui e a esta hora?

Se não parecesse a alguém ofensivo, gostaria de dizer que Mário de Carvalho tem, nestes textos, alguma coisa de bobo, dos verdadeiros, belos caricaturistas, dos que dizem, através de uma graça inteligente e amável, a crítica que o rei nem sequer imaginou aceitar, ou de padre, dos melhores, dos que aparecem em «Roma, Cidade Aberta» de Rossellini, que apontam, ajudam acerrimamente a ponderar, mas não julgam.

Pena é que o prefaciador, entre desculpas temporais e reverências solícitas, não tenha conseguido enaltecer a irreverente pulsão juvenil do autor e a futura carga de responsabilidade política e moral a que estes ‘contos’ obrigam agora a nossa leitura.

jef, julho 2019

sábado, 13 de julho de 2019

Sobre o livro «Cinco Meninos, Cinco Ratos» de Gonçalo M. Tavares. Bertrand, 2018. (Caderno 40 – ‘Mitologias’)
















O grupo de livros reunidos em ‘Mitologias’, que inclui «A Mulher-Sem-Cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado» (2017) e este, representa a estrutura ideológica, simbólica e narrativa, do universo contemporâneo de Gonçalo M. Tavares. A total liberdade concedida ao leitor para juntar, interpretar e construir um mundo feito em peças de um jogo que se inicia muito lá atrás, no universo literário popular (e oral) do imaginário de lobos esfaimados, homens violentos e crianças à deriva.

Aqui, a fábula começa com uma voraz e enorme avestruz, deriva por lobos e termina em ratos mortos a tiro. Existe uma tal velocidade que enlouquece por se concentrar num comboio que poderá transportar o povo inteiro ou aqueles que inutilmente são marcados pois possuem a cabeça bem perto do chão. Notam-se bem. Existe uma igreja com área de apenas 2,59 metros quadrados e um padre que é lento se visto de frente e rápido, como um nómada, se olhado pela nuca. Existem quatro irmãozinhos que perderam uma quinta menina, ainda bebé. Ou será esta última que perdeu antes os quatro irmãos. Quem andará mais perdido? Questão colocada de modo especial já em «Uma Menina Está Perdida no Seu Século à Procura do Pai» (2014).

A cada página, o livro questiona o leitor, refazendo o silogismo, reparando a lógica, desestabilizando o princípio do paralelismo das linhas do caminho-de-ferro mas juntando-as mais à frente num sistema cartesiano xx’ / yy’. Um jogo de cabra-cega contra o da batalha naval. Ainda o jogo das cadeiras: quem ficará de fora? Quem terá os olhos vendados? Um sistema semelhante foi usado no final de «Uma Viagem à Índia» (2010) para redistribuir a leitura das palavras-chave pelas 10 tabelas-cantos.

Através destes personagens e situações, mais ilógicas que loucas, poderemos encontrar todos os temas da obra de Gonçalo M. Tavares, ficando a liberdade de os interpretar à nossa maneira:

Holocausto. Doença Mental. Doença Física. Humilhação. Poder. Técnica Controlo. Protecção. Matemática. Jogo. Medo. Confiança. Crescimento. Morte… 

Façamos nós, leitores, a nossa própria história, pois ela está lá toda e conta connosco. Conta com a nossa diversão e a nossa consciência.

jef, julho 2019

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Sobre o livro «Um Amor» (Un Amore) de Dino Buzzati. Ulisseia, 1974 (1960). Tradução de Fernanda Barreira.















Milão. Fevereiro de 1960. Antonio Dorigo, arquitecto, 49 anos, Fiat 600, bem tranquilo na vida. Telefona à Srª Ermelina e pede para experimentar ‘um novo tecido bem negro’. Assim, encontra Laide Anfossi. Não se considera um homem atraente ou ágil na arte da sedução, nem acha no início a jovem propriamente muito bela. Porém, acaba por se apaixonar como um louco.

Essa travessia por uma Milão que renasce modernamente das cinzas da guerra e de um passado de miséria que não se recusa a esconder é de uma incrível violência estética e urbana, tal como foi Roma para Michelangelo Antonioni («O Eclipse», 1961).

Dino Buzzati, expõe todas as técnicas narrativas, contrapondo os discursos directo e indirecto, as falas interiores e aquelas outras ditadas pelo tropel dos pensamentos recalcados, das cidades angustiadas e livres, para nos fazer crer que, apesar de ser o autor de «O Deserto dos Tártaros», consegue sair do mundo do existencialismo psicanalítico para nos fornecer um tratado maior sobre a angústia da espera no Amor, o desespero do ciúme mas também um sumário ideológico da sociedade milanesa. No final, Antonio encontra Piera, amiga (ou colega) de Laide, que finalmente lhe explica como aquele mundo funciona e que são eles, os clientes burgueses, que negam a alteração do afectivo sistema de fidelidade” que o próprio Antonio exige ser cumprido por Laide.
«– És marxista, por acaso? – pergunta ele.
– Qual marxista. Eu sou fascista. Que tem o marxismo a ver comigo? Não me agrada a caridade cristã. Nunca perguntaste onde nasceu a Laide, em que ambiente cresceu... – responde Piera.»

Também não é por acaso que Dino Buzzati cita «O Anjo Azul» (Josef von Sternberg, 1930).

O Amor e Milão transformam-se com este livro de Dino Buzzati. Também a angústia do tempo que passa e não nos esclarece sobre o que fazer e como o fazer.

(Uma bela sobrecapa de Luiz Duran!)

jef, julho 2019