quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Sobre a peça «Alice no País das Maravilhas» de Lewis Carroll. Teatro Variedades, 2025.



 


































«Alice no País das Maravilhas» sempre contém, para mim, o gosto amargo da ansiedade e da frustração. Tão fantasiosas como reais tais sensações na jovem idade. Lewis Carroll, num jeito anacrónico quase surrealista de certa literatura inglesa supostamente para crianças, vai colocando Alice dentro de um mundo sem saída onde todas as personagens correm, aparecem e desaparecem, sem explicação aparente, deixando-a presa num espaço sem espaço, num tempo sem tempo. Fogem todos de um relógio, de uma Rainha de Copas, déspota e vingativa, como certas crianças sempre são.

A nossa mãe não gostava da história, dizia que não era para nós. Franzia o nariz quando nas matinés de uma televisão arredondada e a preto e branco passavam «Alice in Wonderland» de Norman Z. McLeod (1933) – Não tenho a certeza se é este o filme mas a norma do IMDB parece impor-mo –.

Esqueço por momentos o de Tim Burton (2010). Concentro-me num espectáculo que tem por garantia uma espécie de cenário-lego, jogo infantil, montado e desmontado pelos próprios actores, que entre o apagão das luzes e a crepitação estridente do lustre sobre a plateia, vai-nos levando através dos diversos episódios passados nessa espécie de ansioso vácuo temporal por Alice (Soraia Tavares). O Coelho sempre atrasado (FF), o Catterpilar, o cogumelo, a tartaruga, a Duquesa, o Gato de Cheshire (Ruben Madureira), o chá das cinco… Todos com medo da Rainha de Copas (Sissi Martins). Até que esta surge e impõe a sua lei do “corta a cabeça”. E tudo muda de figura…

…Sissi Martins, através de uma mínima, vermelha, louca, americanizada e rolante Rainha, vai impor pelo meio do críquete-croquete, das festas e da alegria dos confettis a acusação-prévia-ao-julgamento feita a Alice pelo roubo das tartes que arrefeciam à janela. A partir dali, todos os enegrecidos episódios diacrónicos reunem-se numa assembleia iluminada em torno de uma personalidade-revelação que tem tanto de terrível como de cómico e delirante.

Sissi Martins transforma essa tragédia que afinal parece nem estar assim a passar tanto do tempo numa comédia secundada pelas suas cartas de jogar, por FF na pele de um Coelho ansioso e contador de histórias e por um Ruben Madureira, Gato de Cheshire consciente do tempo que se pode contar de frente para trás. Ruben Madureira esclarece a uma Alice suspensa que, afinal, o tempo é uma simples abstracção quase poética que apenas nos leva até à morte. Sissi Martins e Ruben Madureira representam os polos positivo e negativo (ou vice-versa) de uma história sem tempo ou espaço. Uma história tão real quanto absurda.


Teatro da Trindade, 19 de outubro de 2025

«Alice no País das Maravilhas» de Lewis Carroll. Tradução e adaptação: Maria João da Rocha Afonso. Com Alexandre Carvalho, Diogo Mesquita (Duquesa), FF (o Coelho sempre atrasado), JP Costa, Mariana Lencastre, Rita Tristão da Silva, Romeu Vala, Ruben Madureira (o Gato de Cheshire), Sissi Martins (Rainha de Copas) e Soraia Tavares (Alice). Músicos: André Galvão, Artur Guimarães, Carlos Meireles, João Valpaços, Marcelo Cantarinhas e Tom Neiva. Encenação: Marco Medeiros. Música e direção musical: Artur Guimarães. Direção vocal e assistência à direção musical: Carlos Meireles. Desenho de luz: Marco Medeiros. Desenho de som: Sérgio Milhano. Movimento: JP Costa. Cenografia (conceção e construção): Ângela Rocha. Figurinos: Rafaela Mapril. Assistência de encenação: Rebeca Duarte. Apoio à construção da cenografia: Catarina Sousa, Filipe Dominguez, Jorge Miguel e Rita Cabrita. Fotografia de cena: Alípio Padilha. Produção: Teatro da Trindade INATEL. Duração: 1h40.

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Sobre o livro «A Semana» de André Ruivo e Tiago Guerreiro, Edições Sr. Gonçalves, 2025.


 



















Esta edição do Sr. Gonçalves, com duas dúzias de páginas, incluindo a capa, tem uma dimensão de 15 x 10,5 centímetros e representa uma certa poética que toda a semana contém, alegre ou depressiva conforme a contagem de tempo que lhe atribuirmos. A poesia vem de Tiago Guerreiro que tenta obviar o já referido e involuntário correr do tempo. Como se ilustrasse a própria corruptela de calendário pelo motivo da semana se iniciar à segunda e não na primeira-feira franca que, como é lógico, ocorria ao Domingo. Nessas páginas iniciais, um senhor circunspecto e de nariz proeminente sai do seu banho de mar para, talvez entediado, sentar-se à secretária, no seu escritório.

Mas como toda a gente sabe, existe uma hora de ponta à segunda-feira que transborda até quarta-feira, terminando num sábado, ele próprio um poema, onde o tal senhor da segunda volta a mergulhar no mar.

Assim chegamos a essa espécie de erro semanal, um erro depressivo vindo dos tempos de escola – o Domingo! Onde se lê: “Domingo é um gelado que parece sábado mas sabe a segunda.

Ño centro, existe um fundo azul e uma senhora a fazer o pino, a saia cai e cobre-lhe o rosto e o corpo, deixando ver libidinosamente as cuecas brancas e as suas belas botinas pretas, talvez de verniz, talvez de camurça… Aí, nesse centro azul surge a corruptela máxima que aguarda a promessa de poema que é o fim-de-semana: uma sesta-feira e não a entediante, por banal, sexta-feira!

Um livro encantador e circular que deve ser tomado por lido 52 vezes ao ano.


jef, outubro 2025

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Sobre a peça «Arte» de Yasmina Reza. Teatro Maria Matos, 2025.


 





















Fui à procura da história deste texto representado em Portugal.

Entre 1998 e 2003, esteve em cena no Teatro Villaret. António Feio, José Pedro Gomes e Miguel Guilherme levaram milhares de espectadores ao teatro para assistir a uma peça sobre a mais profunda natureza humana: o poder, a submissão, a ostentação, o ciúme e a inveja.

Em 2016, a peça regressou com outros actores: Vítor Norte, João Lagarto e Adriano Luz. Uma comédia que parece ser de riso fácil transforma-se depois numa tragédia de riso muito amarelo quase negro. Há uma altura em que a amizade é posta em causa por tudo o que, por cerimónia ou despeito, vai sendo silenciado ao longo dos anos.

Surge agora «Arte» com a encenação de António Pires. Um cenário eficaz (F.Ribeiro) onde o quadro branco do artista conceptual Antrios, que custou uma pipa de massa é exposto ao centro. Sérgio (Rui Melo) naturalmente orgulhoso pela sua compra extravagante exibe a peça perante o incrédulo Marco (Nuno Lopes) em cuja casa, ao lado direito, é exposto uma singela paisagem alentejana em modo naturalista-flamengo. Marco ri, num desaforo quase histérico, perante tal perda de dinheiro. Marco e Sérgio digladiam-se na presunção, guerreiros em combate. Contudo, precisam de assistência que faça de escape e aplauso. Chega então Ivo (Cristóvão Campos), humilde funcionário de uma papelaria de família, solitário e aparentemente de fraca personalidade preparando-se para um casamento desastroso. Tem na parede de casa um quadro sem qualquer valor, aparentemente em modo abstracto, pintado por seu pai. Ivo é a peça-espelho-chave para que a luta de poder-sedução-humilhação tenha um fim realmente dramático.

Cristóvão Campos é o rei da festa teatral por ter o papel mais complexo, mais diferenciado, com uma evolução perfeita ao longo da história da sua personagem que vai sendo contada aos poucos. É uma espécie de compère ou coro que faz de contraponto humano às duas figuras inabaláveis e em confronto, quase heróis quase palhaços, Nuno Lopes e Rui Melo.

É extraordinário que esta tragédia-comédia seja o eterno êxito, novamente com salas esgotadas (e sem quaisquer descontos para mais novos ou velhos - a produtora Força de Produção, que ocupa agora o ex-teatro municipal, tem essa estranha política…).

É extraordinariamente saudável que a Arte (e os teatros) agora e ainda estejam repletos de espectadores e que estes riam de coisas tão sérias.


jef, Maria Matos, 17 de Outubro de 2025

«Arte» de Yasmina Reza. Encenação: António Pires. Tradução: Ana Sampaio.  Cenário: F.Ribeiro. Banda Sonora: Carincur. Figurinos: Dino Alves. Desenho de Luz: Rui Seabra. Assistente de encenação: Rui Lopes. Com Cristóvão Campos (Ivo), Nuno Lopes (Marco) e Rui Melo (Sérgio). Produção: Força de Produção. Teatro Maria Matos. Duração: 2h00. 

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Sobre o espectáculo «A Teoria da Água». Largo do Chafariz – Lisboa, 2025.



 






































Quantas formas poderão estar contidas na água? Volume com forma que for sólida; volume sem forma, se for líquida; sem volume nem forma, se gasosa.

E o corpo humano, de quanta água será? E o seu movimento, a sua dança, o seu espírito, os seus ideais? Quanto deles se formam a partir da água?

Recuperemos o fôlego, activemos o espaço e o nosso tempo, comuns. Serenemos a agitação. Apesar de escassa, a água continuará em nós.


Obrigado, Carlos Romão.

As fotografias são de Renan Nascimento.


A Teoria da Água, oficina-instalação-performance.

Coreografia de Christina Elias @christina_elias_artist

Festival #Pedras “O Gesto que o Amor Potencia”

Largo do Chafariz – Rua de O Século, Lisboa, 18 de outubro de 2025. 22h00.

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Sobre o filme «Lavagante» de Mário Barroso, 2025





















Ora aqui está o filme certo, na hora certa. 

A história vem de José Cardoso Pires (editada em 2008), que este ano comemora os 100 anos do seu nascimento. O argumento é uma das últimas ideias de António-Pedro Vasconcelos para o cinema. A fotografia do filme vem do próprio realizador, Mário Barroso. Um mestre fotógrafo, sem a mínima dúvida. Também um filme que recorda que o fascismo não foi flor que se cheire e muitos sofreram e morreram para nos dar hoje um regime democrático que permite a fascistas candidatarem-se a eleições livres, tecendo loas à repressão das ideias próprias. Nesse sentido, este filme devia ser levado a escolas, cineclubes e sociedades recreativas por todo este sacrossanto Portugal.

O filme é uma terna devoção dentro da resistência anti-fascista, dentro da opressão de um regime violento. Será que todo o sacrifício possui justificação, tanto na política como no amor? Por que pairam sobre o filme as áreas de «Tosca» de Puccini? Uma ópera estreada em período de revolução política em Itália e que conta a história de alguém que se entrega ao carrasco para salvar o amado mas acaba por ser enganada também por aquele.

Um ambiente recriado pela magnífica fotografia de Mário Barroso que dá a densidade certa a ambientes e personagens, à luz no preto e branco, à névoa sobre a serra da Arrábida, ao nevoeiro das salas enfumaradas da redacção dos jornais e de cafés. Transmite-lhes o necessário toque claustrofóbico e luminoso a uma verdade encenada que, ao mesmo tempo, é realisticamente dramática. A ópera, de novo.

A actriz Júlia Palha (Cecília) ilumina o ecrã com uma deslumbrante fotogenia ‘Cahiers du Cinéma’, muito bem secundada pela rivalidade que Sara (Leonor Alecrim) reprime pelo médico Daniel (Francisco Froes). A completar o quarteto está o jornalista resistente José (Nuno Lopes) que, como a força da razão, faz um coro solo a proclamar a verdade sobre as emoções. Por fim, o carrasco, esse lavagante, segundo a metáfora, que faz engordar o safio para o aprisionar e, depois, melhor lhe saborear a carne – o inspector da PIDE Salaviza (Diogo Infante).

Um filme a não perder, por todas as razões e mais alguma.


jef, outubro 2025

«Lavagante» de Mário Barroso. Com Francisco Froes, Nuno Lopes, Júlia Palha, Leonor Alecrim, Diogo Infante, Rui Morisson. Argumento: António-Pedro Vasconcelos livremente adaptado da obra homónima de José Cardoso Pires. Produção: Paulo Branco / Leopardo Filmes. Fotografia: Mário Barroso. Música: Mário Laginha. Decoração: Paula Szabo. Guarda-roupa: Lucha d'Orey. Portugal, 2025, P/B, 92 min.



terça-feira, 14 de outubro de 2025

Sobre o livro «A Vida Modo de Usar» de Georges Perec, Editorial Presença, 1989 (1969-1978). Tradução de Pedro Tamen.



 







Um labirinto consignado no interior de um mundo infinito. Um mundo infinito consentido dentro de um labirinto desvendado. Através de uma tradução árdua e magnífica de Pedro Tamen, eis o romance que George Perec edificou durante nove anos. E como ele imaginou, a fachada de um prédio a ser removida e todas as histórias ali contidas a poderem, finalmente, ser contadas em simultâneo.

Referimo-nos ao número 11 da imaginária rua de Simon-Crubellier situada no 17.º bairro de Paris. Tem mais de oito pisos, incluindo caves, corredores, escadas, esconsos, caixa de elevador, lojas e mansardas. 99 capítulos divididos por 6 partes (e um epílogo), com um mapa anexo para localizar os novos e os velhos inquilinos, um substancial índice remissivo de 50 páginas para situar as referências citadas por mais casuísticas que pareçam ao leitor desatento (e é preciso muita atenção!), uma tabela cronológica 1833-1975, um índice da maior parte das histórias (mais de 100) contadas nas perto de 450 densas páginas deste exaustivo Compêndio de História Comportamental de uma Cidade e do Mundo que a envolve.

Todo o livro é descrito como se um fotógrafo forense analisasse o local dos acontecimentos onde as personagens parecem ficar paradas no tempo, cristalizadas como num álbum de fotografia. Inicialmente, ali tudo tem de ser descrito ao mais ínfimo pormenor, pois é no pormenor que pode esconder-se a solução. A cor do sapato, o estado da manta, a história retratada numa pintura. Depois, todas as personagens começam a mover-se e a sua história vai sendo contada por episódios, desde o nascimento do edifício em 1833 até a um certo Verão que quase o faz tornar-se num deserto. Estamos no dia vinte e três de Junho de mil novecentos e setenta e cinco e as oito horas da noite aproximam-se.

E por mais personagens que se multiplicam ao longo daquele frontispício, existe uma certa competição velada, um negócio fechado, um jogo escondido, infinito por irrealizável. Numa espécie de centro descentrado, está um britânico, riquíssimo e fleumático, Bartlebooth que resolve pintar 500 aguarelas junto ao mar. Para isso, tem de contratar Valène durante dez anos para o ensinar a pintar. Como seriam aquelas executadas nas mais diversas geografias, viajou à volta do mundo durante vinte anos com o seu mordomo Smautf. Essas pinturas marinhas seriam depois transformadas em 500 puzzles. Para isso, contratou Gaspard Winckler. Os prazos deviam ser cumpridos à risca e as 750 peças de cada uma das 500 caixas deviam ser montadas com rigor, caso a caso, em cada duas semanas. Contudo…

Ler este livro é como encontrar novamente o gozo na inesgotável descrição dos romances oitocentistas, um humor franco na caracterização das personagens que começam invariavelmente a ser contadas pelo que trazem vestido ou pelos imensos objectos que as rodeiam.

Ler este livro é reencontrar Júlio Verne, se este estivesse sentado à mesa do café com Guy de Maupassant, Tchéchov, Eça de Queirós ou Mário de Carvalho. Caso estes lessem em conjunto os livros de lendas e narrativas das «Mil e Uma Noites», de «Se Um Viajante Numa Noite de Inverno» de Italo Calvino ou as peripécias encerradas no «Manuscrito Encontrado em Saragoça» de Jan Potocki. Já para não falar na «Odisseia» de Homero ou nas «Metamorfoses» de Ovídio…

Sem dúvida, o prazer de ler mil histórias enquanto vão passando na parede branca as imagens dos cenários onde se situa a verdadeira origem do nosso universo.

Um prazer inesgotável que pode ser lido de trás para a frente ou em qualquer um dos sentidos idealizados!


jef, outubro 2025

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Sobre a peça «O Senhor Paul», Teatro Aberto 2025



 

























Há anos que o Senhor Paul vive no seu sofá, bebendo o seu chá, devorando o seu esparguete, quantas vezes frio por não o aquecer na placa eléctrica que se encontra por cima do piano mecânico. O Senhor Paul e a sua irmã, Luise, amante de Ópera, vivem nas traseiras do prédio onde outrora habitavam e de onde foram expulsos pelo velho proprietário, voz de falsete, avô do actual dono, Helm, que agora conseguiu financiador para transformar o espaço, uma antiga fábrica de sabão, numa moderna lavandaria. Para isso, Helm precisa de uma simples assinatura do Senhor Paul.

Só que o Senhor Paul vive bem no seu sofá, no seu roupão de seda e com as suas pantufas, convivendo em alegre, quase pueril, quase licenciosa amizade com uma quase criança, a vizinha Anita, que junto dele se refugia e se diverte. Nada mais lhe interessa. Nem a propriedade, nem o futuro da cidade, da economia e do resto do mundo. E como o Senhor Paul a tudo abdicou, nada, deste modo, lhe pode ser retirado.

O Senhor Paul, na sua atitude de obsessiva e sistemática rejeição torna-se um novo “Bartleby”, a sintomática enigmática personagem criada por Melville que também a tudo dizia com convicta benevolência “Preferia não o fazer!” (I would prefer not to, na tradução de Gil de Carvalho para a Assírio & Alvim).

Só que Tankred Dorst escreveu esta peça em 1993, numa Alemanha reconstruída e em busca de uma nova identidade social e económica, talvez furturista, certamente também injusta. Hoje podemos assumir a negação do Senhor Paul, na sua alegre sobrevivência contra tudo e contra todos, como uma parábola existencialista de resistência contra o capitalismo actual, ainda mais desalvorado, ainda mais cruel, mais autofágico.

Nesta alta comédia quase negra, Miguel Loureiro é o impante, inteligente, desesperante e inamovível vencedor, com estilo e crédito aristocráticos.

Álvaro Correia usa a sua estratégia quase “isabelina” das várias escadas, vários níveis, quase palcos, para nos garantir a exiguidade de um espaço, ora constrangedor, desarrumado, claustrofóbico, ora inóspito e desabrigado, dentro de um gigantesco e desértico bastidor por onde as figuras se somem e sempre reaparecem, numa gestão cénica seguramente eficaz e bela.

Viva o novo teatro de intervenção!


jef, 12 de Outubro de 2025

 

«O Senhor Paul» de Tankred Dorst com Ursula Ehler. Com Miguel Loureiro (Senhor Paul) Carlos Malvarez (Senhor Schwarzbeck, o investidor), Íris Cañamero (Anita), José Pimentão (Helm, o herdeiro), Lia Carvalho (Lilo Schöps, a namorada), Maria José Paschoal (Luise, a irmã). Tradução: Vera San Payo de Lemos. Encenação: Álvaro Correia. Cenário: André Guedes. Figurinos: Marisa Fernandes. Desenho de Luz: Manuel Abrantes. Sonoplastia: Vitória. Teatro Aberto. Duração: 1h40.

Fotografias: Filipe Figueiredo.